quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lembranças das Minas Geraes - 1: Quebrando o gelo

Estação da EFCB em Palmyra, MG, em 1911.
Às vezes me pego pensando e comparando minha geração com a geração dos meus netos.

Tenho dois netos maravilhosos. O Kiko tem 7 anos e o Max tem 4. São crianças inteligentes, dóceis, comportadas, bem educadas. O Kiko tira excelentes notas na escola, quase todas acima de 9.
O Max já demonstra sua personalidade, como uma pessoa solidária e sempre pronta a apoiar àqueles que ama.

Volto no tempo e procuro lembrar o que acontecia quando tinha a mesma idade.

Aos sete anos, morava em Santos Dumont, MG. Era uma cidade pequena, escondida na Serra da Mantiqueira, na chamada Zona da Mata. O nome vem da Mata Atlântica, que era exuberante na região, até ser devastada pelo homem, para abrir espaço para a agricultura e a pecuária de leite.

Santos Dumont tinha 6.127 habitantes e 1.343 prédios, segundo o Anuário Estatístico de Minas Gerais de 1950. O nome tinha sido trocado em 1932, para homenager Alberto Santos-Dumont, o pioneiro da aviação, nascido lá quando seu pai, o engenheiro Henrique Dumont, trabalhava na construção da ferrovia Pedro II (mais tarde Estrada de Ferro Central do Brasil). Antes chamou-se Palmyra e, antes disso, João Gomes, em homenagem ao seu fundador.

A cidade nasceu em função da construção do Caminho Novo, uma alternativa à Estrada Real, diminuíndo a distância entre Ouro Preto e o Rio de Janeiro. A nova estrada começou a ser construída em 1701 e a cidade começou a formar-se em 1715 como Rocinha João Gomes, Fazenda João Gomes e, depois, Palmyra. A emancipação administrativa se deu em 1889, quando Palmyra foi transformada em município, mantendo este nome até 1932.

Nossa família mudou-se para lá em 1948, vindo de Conselheiro Lafayette, onde nasci. Nos primeiros anos moramos na rua João Gomes, mudando para a Av. Presidente Vargas em 1952, poucos dias depois do nascimento de minha irmã.

Av. Pres. Vargas em Santos Dumont, MG, década de 1950. O telhado
assinalado era da nossa casa.
Já alfabetizado pela minha mãe, comecei no primeiro ano primário no Ginásio Santos Dumont, uma escola particular que oferecia os cursos primário e secundário. Na cidade não havia curso científico (equivalente ao segundo grau, hoje). Quem tivesse a intenção de ingressar numa universidade, teria necessariamente que fazer o segundo grau em outra cidade.

A lembrança mais forte daqueles primeiros anos era a temperatura. Lembro do frio do inverno mas nunca de ter sentido calor no verão. Verificando no Anuário Estatístico, notei que a temperatura média em Santos Dumont era de 20° Celsius. A máxima histórica tinha sido 32° em 1946. Em condições normais, nunca ultrapassava os 30°C no verão, assim mesmo durante o dia. À tarde e à noite a temperatura sempre descia abaixo dos 20°C. 

No inverno a mínima sempre alcançava zero graus, pela manhã, à vezes até menos. Era bem duro levantar às 06:00 horas, buscar o pão na padaria Primor, tomar café e estar na sala de aula às 07:00 horas. Mas era divertido quebrar o gelo que se formava na superfície de qualquer água parada, como era o caso dos tambores de cal virgem, usados nas construções.

Nenhum comentário:

Postar um comentário