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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Harley-Davidson dá dicas para pilotar com mau tempo

 

Não deixe que uma previsão de mau tempo atrapalhe seus planos de fazer uma ótima viagem. Não dá para mudar o tempo, mas com certeza, dá para mudar como você reage a ele. Com isso em mente, a Harley-Davidson do Brasil separou dicas para os motociclistas pilotarem melhor em diferentes condições climáticas. Confira!

Chuva

Pegar chuva enquanto pilota não é um problema se você tiver tempo e um bom lugar para se secar quando terminar (e se não estiver muito frio). Mas, obviamente, não se molhar é sempre a melhor opção. Para começar, invista em uma boa capa de chuva; você não vai se arrepender. Botas e luvas impermeáveis também são essenciais. E não se esqueça de fechar tudo muito bem. Basta uma pequena abertura para você ter a sensação de estar ensopado.

A segurança é mais importante do que o conforto. Sob chuva, a segurança começa com tração. Com bons pneus, boa técnica e cuidado extra, não tem por que ficar com medo da chuva.

Verifique se os pneus estão com a banda de rodagem certa para canalizar a água para longe de onde a borracha toca a pista. Lembre-se de que a estrada fica mais escorregadia no início de uma tempestade, principalmente depois de um longo período de seca, quando a água remove o óleo da superfície da estrada. Evite o meio da pista, onde esse efeito é mais comum.

No geral, faça tudo de forma mais gradual na chuva: acelerar, frear, virar. Vá mais devagar. Tente não reagir bruscamente. Mantenha distância de outros veículos. Tenha muito cuidado em superfícies escorregadias, como tampas de bueiros e, quando em um cruzamento de ferrovia, redobre a atenção para cruzar os trilhos o mais próximo possível de um ângulo de 90 graus.

E lembre-se de que andar na chuva é mais desgastante mentalmente. Faça pausas frequentes e/ou tente parar mais cedo à noite. O descanso mental irá ajudá-lo a lidar bem com todos os desafios de pilotagem.

Vento

Ser surpreendido por um vento cruzado repentino ao andar de motocicleta pode assustar. Mas saber o que fazer nesse tipo de situação não precisa ser um bicho de sete cabeças. Seguem duas dicas básicas para lidar com rajadas de vento.

Primeiro, relaxe. Quanto mais você luta contra o vento, mais ele reage contra você. Não acelere; não desestabilize o guidão. Lembre-se dos princípios de contra-ataque. Se uma rajada de vento o atingir pela esquerda, incline-se para ela empurrando ligeiramente o guidão do lado esquerdo. Se o vento for constante, mantenha uma pressão constante, mas não exagere. Aplique pressão suficiente para neutralizar o vento e continuar seguindo em frente.

A segunda dica é ajustar sua posição na pista conforme a necessidade. Embora andar no terço esquerdo da pista seja uma regra boa, ela não funciona em toda e qualquer situação. Se, por exemplo, um vento constante vindo da direita faz você se sentir como se estivesse prestes a ser lançado no sentido contrário, dê a si mesmo uma pequena margem de erro cruzando no terço direito da pista. Mas, lembre-se de que, nessa posição os motoristas (principalmente de caminhões) à sua frente não conseguem enxergar você muito bem; por isso, aja com cautela.

Calor

No calor, além de ficar atento a manchas escorregadias de piche derretido, é preciso cuidar da temperatura do corpo e se manter hidratado. O estresse térmico e a insolação são questões sérias e que podem matar!

Hidrate-se: leve água e/ou bebidas esportivas com você e faça pausas frequentes para se hidratar. Em situações de calor extremo, beba mais do que você acha que precisa.

 Refresque-se: usar uma bandana molhada em volta do pescoço ou sob o capacete pode fazer maravilhas. Mergulhar sua camiseta básica em água fria ou usar um “colete de hidratação” também pode ser uma grande ajuda.

Cubra-se: a pele nua sob o sol quente pode provocar mais do que uma queimadura solar. Embora seja bom expor braços e ombros ao vento, uma camiseta leve, de cor clara e sintética de manga longa ajuda a refletir a luz do sol e pode evitar que o corpo perca a umidade muito rapidamente.

Fique atento a sinais de estresse causado pelo calor: pare imediatamente se tiver sintomas como fraqueza, tontura, confusão, náusea e/ou problemas respiratórios.  Refresque-se à sombra ou em algum lugar com ar condicionado e beba bastante líquido para se reidratar. Busque ajuda se os sintomas não amenizarem rapidamente — e não volte até ter certeza absoluta de que se recuperou.

Finalmente, quando ao ar livre, evite o calor mais intenso, começando bem de manhã e terminando no fim de tarde. Encontre um lugar agradável e arejado (talvez com piscina) para ficar durante as altas temperaturas à tarde.

Frio

Algumas pessoas simplesmente não entendem. “Como andar de moto quando está muito frio lá fora?” elas perguntam. Simples: se tem gente que anda de motocicleta para neve em temperaturas abaixo de zero, é claro que você pode pilotar sua motocicleta quando está fazendo 2 °C. Obviamente, o segredo está em se agasalhar e se manter aquecido.

Vista-se em camadas que você pode retirar (ou adicionar) de acordo com a variação da temperatura. Comece com uma segunda pele de tecido térmico ou lã que afastará a umidade do corpo; adicione uma camada (ou camadas) de lã; e complete com uma camada corta-vento, impermeável e respirável.

Ao andar no frio, cuidado com aberturas, geralmente nos pulsos, tornozelos ou pescoço. Procure luvas corta-vento com fechamento no dorso para bloquear a entrada de brisa pelas mangas. Botas de cano alto são imprescindíveis. Capacetes fechados são excelentes no frio, e uma balaclava ou envoltório de pescoço manterá o queixo e pescoço protegidos.

Nem todo mundo gosta de andar com um para-brisa ou carenagem, mas esses itens podem fazer uma enorme diferença no frio. A Harley-Davidson oferece uma grande variedade de opções de para-brisas para a maioria dos modelos de motocicleta — inclusive opções removíveis, que liberam a brisa quando o calor aumenta.

Andar no frio também significa ficar atento a manchas de gelo. Mesmo que a temperatura do ar esteja acima de zero, partes da estrada ainda podem estar congeladas. Redobre a atenção em pontes, em pontos escuros e em áreas baixas da estrada, onde a água pode se acumular, congelar e demorar mais para derreter. E lembre-se que o gelo na estrada às vezes pode ser invisível.

E, por último, roupas quentes — como coletes, jaquetas, luvas ou até munhequeiras — podem trazer conforto e estilo. Depois de usá-las uma vez, você nunca mais vai querer passar frio pilotando!

Minha dica: Pilote sempre com segurança!

Fonte: Harley-Davidson do Brasil

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 6. Comportamento na Cidade


Pilotar com segurança na cidade, assim como na estrada, exige que motociclista seja um participante ativo, prestando muita atenção ao que acontece ao seu redor, tomando decisões baseadas nas suas observações e agindo para que as decisões tomadas sejam efetivas.

As motocicletas, pelo seu tamanho menor em relação aos veículos de quatro ou mais rodas, operam em desvantagem no tráfego urbano. Para compensar, deve-se adotar a pilotagem defensiva e agir/reagir com eficiência.

A vida contemporânea exige que a maioria dos casais nas grandes cidades, trabalhem, uma mudança dos hábitos anteriores, quando o marido saia para trabalhar e a esposa ficava em casa. Isto praticamente duplicou a quantidade de pessoas que precisam de locomover para ir e voltar do trabalho, diariamente. Por outro lado, o crescimento das metrópoles, a deficiência do transporte coletivo, as facilidades de crédito e o endividamento familiar crescente, colocou um número muito maior de veículos nas cidades. Tanto os de duas rodas como os outros.

Adicionalmente, as prefeituras descobriram um nova forma de tirar dinheiro dos cidadãos, criando – muitas vezes artificialmente – trechos com controle eletrônico de comportamento ao conduzir veículos: lombadas eletrônicas, radares com velocidade menor à capacidade da via, semáforos-radar, etc. Todos estes dispositivos eletrônicos provocaram um desvio maior da atenção de quem dirige, aumentando a possibilidade de acidentes em baixa velocidade.

Como nas estradas, a visibilidade do motociclista é sua melhor estratégia de defesa no tráfego das cidades. O problema é que, na maioria das vezes, a pessoa usa sua motocicleta vestindo a roupa de trabalho e não a vestimenta de pilotagem. Isto diminui a visibilidade do motociclista, especialmente no final da tarde, quando a luz natural já se esvaneceu.

As mesmas recomendações feitas na postagem anterior sobre o tema, aplicam-se aqui.

Trafegue sempre com as luzes ligadas.
Trafegue sempre com as luzes acessas, mesmo os faróis auxiliares (se sua motocicleta estiver equipada) e procure usar roupas claras. Há no mercado vestes leves, que podem ser colocadas sobre sua roupa de trabalho e que ajudam a torná-lo mais conspícuo no tráfego das ruas e avenidas.

Colete de segurança: leve e muito eficaz para aumentar a visibilidade.
Os coletes de segurança, que fazem parte dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), são muito úteis para esta função. Com preços relativamente baixos, podem ser encontrados em lojas especializadas. Compre um número maior que o seu, para que o colete fique confortável por cima de sua roupa.

Outro procedimento recomendado, é usar capacete de cores claras e brilhantes, que refletem bem a luz dos faróis dos carros, ônibus e caminhões.

Bom capacete para uso urbano, com viseiras transparente e escura.
Assegure-se de aplicar as etiquetas refletivas.
Procure posicionar-se de maneira que o condutor do veículo à sua frente sempre possa vê-lo no retrovisor.


Uma das técnicas mais indicadas é posicionar uma pouco à esquerda do veículo, para que o motorista possa notá-lo através do retrovisor esquerdo externo.

É muito importante manter um canal de comunicação constante com os outros veículos, demonstrando suas intenções com o uso das setas de direção. Do mesmo modo, observe e procure antecipar-se à ação dos outros usuários da pista, especialmente na mudança de faixa. Ainda que o Código Brasileiro de Trânsito determine que todo veículo indique sua intenção de mudança de faixa, acionando as setas respectivas, muita gente não o faz. Portanto, sua atenção deve ser redobrada.

As sinaleiras são muito efetivas para chamar a atenção do veículo que vem atrás e as luzes de freio são uma ajuda importante ao sinalizar diminuição de velocidade. Às vezes é difícil notar que uma motocicleta está diminuindo a marcha, portanto o uso da manete de freio para acionar as luzes correspondentes e alertar os veículos, é fundamental. 

Luzes traseiras são muito importantes no trânsito.
Algumas motocicletas podem ser equipadas com um dispositivo eletrônico que faz com que a luz de freio pisque algumas vezes, sempre que a manete ou o pedal de freio forem acionados. Isto serve para alertar o veículo que vem depois, sobre sua intenção de diminuir a velocidade ou parar.

O uso da buzina é também um ferramenta importante, para alertar outros veículos, em caso de emergência. Mas use-a com parcimônia. Nada é mais irritante do que uma motocicleta transitando pelo corredor entre duas faixas de carros, acionando a buzina com insistência. Não é para isto que a buzina existe!

As técnicas mencionadas acima para aumentar sua segurança e estar visível para os outros condutores, não são suficientes para garantir que o motociclista está seguro nas ruas.

Sua melhor proteção ainda é pilotar defensivamente, estudando o tráfego ao seu redor e antecipando-se a situações perigosas.

As estatísticas demonstram que a grande maioria dos acidentes ocorrem num raio de 15 km de sua casa. Portanto, mesmo uma voltinha pelo quarteirão pode apresentar perigos a serem evitados.

Excelência na pilotagem quer dizer:

  • Assegurar-se de estar visível todo o tempo.
  • Manter-se atento ao tráfego ao seu redor.
  • Procurar, sempre, manter uma boa comunicação visual com outros veículos.
  • Antecipar-se à condições de risco.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 5. Comportamento na Estrada

Julho 2010. Seguindo pela I-87 em direção a Niagara Falls.
Pilotar com segurança implica na sua participação ativa, prestando atenção e reagindo ao que ocorre ao seu redor, tomando decisões baseadas no que você vê.

Motocicletas, por serem menores e menos visíveis que outros veículos estão sempre em desvantagem, tanto nas cidade como nas rodovias. Para compensar esta desvantagem, é importante pilotar defensivamente e agir com confiança.

É fundamental estar no controle total de sua motocicleta todo o tempo e estar ciente do que acontece nas proximidades. Em outras palavras, tem que monitorar vários aspectos ao mesmo tempo, para estar à frente de qualquer situação que possa colocar em risco sua segurança.

A vida contemporânea implica em ter muitas pessoas nas estradas e avenidas, durante quase todo dia. A pessoas trabalham e estudam longe de suas casas, usam seus carros para compras em locais distantes, frequentam médicos e outros profissionais que não estão situados na sua vizinhança.

As ruas e as estradas estão repletas de pessoas conduzindo veículos em condições de estresse, distraídas, sem prestar atenção na direção e, muitas vezes, muito cansadas. Por outro lado, motoristas embriagados e drogados, pavimentação em mau estado de conservação, sinalização precária, falta de fiscalização agravam ainda mais os riscos inerentes ao simples ato de trafegar.

Rodovia com tráfego intenso.
As estatísticas são cruéis: mais de 50.000 pessoas morrem, todos os anos, em estradas, avenidas e ruas no Brasil. O número de feridos é também assustador. No primeiro semestre de 2014 a administradora do seguro obrigatório DPVAT reportou ter pago indenizações a 340.539 vítimas de acidentes de trânsito, das quais 259.845 por invalidez permanente. Este números representam um aumento de 14% nos sinistros, comparados ao mesmo período de 2013.

Há muitos cuidados que devem ser tomados, para evitar que você se transforme em um número nestas estatísticas.

Nesta postagem vamos discutir algumas técnicas que podem ajudar a manter sua pilotagem segura.


Visibilidade


Pesquisas indicam que ser visível é um das mais importantes componentes para sua segurança na via. "Eu não ví a motocicleta," é uma das reações mais comuns num acidente envolvendo um veículo de duas rodas. Por ser menores do que um automóvel, as motocicletas são mais difíceis de serem notadas e ter sua velocidade presentida.

É uma realidade o fato de que muitos motoristas não estão atentos para eventuais motocicletas em seu redor. Assim sendo, é muito importante que você faça todo o possível para estar sendo visto a todo momento e ter espaço e tempo para responder efetivamente a manobras de outros veículos.

Trafegue sempre com todas as luzes da sua motocicleta acessas. Procure usar roupas claras, com faixas reflexivas nos capacetes e jaquetas. Os piores momentos são próximos do amanhecer e do entardecer.


Faróis de led, como nesta Harley-Davidson Ultra Limited, são excelentes
Quanto mais luzes, mas você será visto.
Evite os pontos cegos do retrovisor dos veículos à sua volta. Muitos acidentes acontecem quando a motocicleta não é vista pelo motorista do veículo.


As zonas azuis indicam pontos cegos nos retrovisores do veículo.
Com caminhões, ônibus e carretas, os pontos cegos são ainda maiores.
É importante que você seja visto todo o tempo.
Por outro lado, também é importante que você veja os veículos ao seu redor, evitando os pontos cegos e sinalizando, com clareza, sua intenção de mudar de faixa.

Ponto cego no retrovisor da motocicleta.

Algumas motocicletas tem melhores retrovisores do que outras. Das que eu pilotei, a melhor, sem dúvida, é a Honda Goldwing. Os retrovisores são bem largos e oferecem uma visão bastante ampliada.

Honda Goldwing 2015.
A minha Harley-Davidson Ultra Limited 2014, como todas as tourings da H-D não são equipadas com bons espelhos retrovisores. Como uso capacete fechado, minha visão periférica fica ainda mais comprometida.
A solução foi substituir os espelhos originais pelo modelo Split Mirror (part # 92190-06), o que aumentou significantemente o campo de visão.

Espelho modelo Split Mirror (part # 92190-06) da Harley-Davidson
É muito importante posicionar-se devidamente na pista e indicar com clareza suas intenções. O uso de luzes indicadoras de direção (as famosas setas) é fundamental para isto.

Obtendo informações visuais


A grande maioria das informações que você recebe, enquanto está pilotando, vem dos seus olhos. Para usar estas informações de modo correto, é preciso entender como isto funciona. Sua visão é dividida em central e periférica. 

A visão central é o que você vê claramente. É um cone visual de apenas três graus de abertura. É impossível focar diretamente em uma imagem periférica, mas esta sensação visual é particularmente sensível à luz e a movimentos. Apesar de que o nosso campo visual é de 180 graus, nossos olhos podem se concentrar efetivamente em uma pequena porção do campo visual.

Quando estava aprendendo a pilotar aviões, meu instrutor sempre falava que tínhamos que escanear o  horizonte todo o tempo, além de checar as informações nos instrumentos do avião. Isto é fundamental na aviação esportiva, onde as aeronaves não tem todos os instrumentos que se encontra num avião comercial ou de combate. Com o tempo, todos os pilotos de avião desenvolvem está técnica.

Numa motocicleta, é a mesma coisa. Temos de verificar constantemente o que está à nossa frente (veículos, sinalização, condições da pista, etc.), na nossa periferia, atrás de nós (com a ajuda dos espelhos), ao mesmo tempo que monitoramos a velocidade e demais informações do painel.

Para isto devemos desenvolver hábitos visuais efetivos. Estes são os pontos principais:
  • Concentre sua visão no caminho que vai seguir. Ou seja, olhe para onde você quer que a motocicleta vá.
  • Procure olhar o mais longe possível, para se antecipar a qualquer problema na pista ou no tráfego à sua frente.
  • Force seus olhos a se mover frequentemente para que você receba o máximo de informação visual dentro do menor tempo possível.

Mantendo a distância


Na maioria dos livros e manuais sobre segurança nas estradas, encontramos a recomendação de adotar a regra dos dois segundos. Em outras palavras isto quer dizer manter uma distância correspondente a dois segundos de rodagem entre você e o veículo que estiver à sua frente.

O que é isto? Observe o veículo à sua frente e marque quando ele passar por uma ponto relevante na estrada (uma placa, uma árvore, etc.) e conte dois segundos (falando pousadamente "é um, é dois, é"). A sua motocicleta só deve passar pelo mesmo ponto relevante depois dos dois segundos.

Eu aprendi isto no primeiro curso sobre pilotagem em grupo que fiz, há muitos anos. Na minha experiência porém, sempre achei os dois segundos muito pouco e adoto, em seu lugar, a regra de três segundos.

Nos meus estudos e pesquisas sobre segurança no motociclismo, encontrei uma embasamento técnico para comprovar a minha teoria sobre os três segundos.

Vou explicar: considere uma rodovia de primeira linha onde a velocidade máxima seja de 110 km/h. A sua motocicleta vai rodar 30,5 metros por segundo. Usando a regra dos dois segundos, você vai percorrer 61 metros até atingir o veículo à sua frente, se este parar abruptamente.

Na minha regra dos três segundos, a distância de segurança é de 91,5 metros.

Agora vejamos o que diz o estudo realizado em 2009 pela Montreal Promocycle Fundation, do Canadá. Os testes foram feitos com motociclistas experientes, em pista seca e de pavimentação uniforme, em várias velocidades. Para coerência vamos ver os resultados na velocidade de 110 km/h.

  • Motocicleta com freio ABS
    • Tempo entre a percepção do perigo, aplicação do freio e parada: 4,3 segundos.
    • Distância percorrida: 80 metros.
  • Motocicleta sem freio ABS
    • Tempo entre a percepção do perigo, aplicação do freio e parada: 4,8 segundos
    • Distância percorrida: 85 metros
A conclusão é de que a distância percorrida nos dois segundos da regra mais difundida (61 m), não seria suficiente para evitar uma colisão. Por isto, recomendo adotar a regra dos três segundos.



Lembre-se que a distância de frenagem aumenta cerca de 40% em pista úmida ou encharcada. Aumente a distância para o veículo à sua frente em mais um segundo e meio, pelo menos, nestas condições.

Comportamento na pista


As condições da pista, especialmente em rodovias e estradas, mas também na cidade, é determinante para o comportamento na pilotagem. Aspectos a considerar:
  • Tipo da pista: em aclive/declive, sinuosa, pista simples ou duplicada/triplicada, com acostamento, guard-rail ou vegetação.
  • Condições da pavimentação: paralelepípedos, bloquetes, asfalto, terra, brita, areia. Em boas condições ou esburacada.
  • Condições atmosféricas: seca, molhada, encharcada com lâmina dágua na superfície.
  • Existência de detritos, manchas de óleo.
  • Condições do tráfego: intenso, grande volume de caminhões, pedestres e bicicletas, etc.
A atenção ao que ocorre à sua frente e ao seu redor é fundamental, especialmente no tráfego pesado das cidades - em especial na hora do rush - e nas rodovias quando passando por áreas urbanas, com grande volume de tráfego local.


Pista molhada: atenção redobrada.
Ao tomar uma decisão, é importante considerar estes três elementos ao executar a decisão tomada:
  • Comunicação: é muito importante, além de ver e ser visto, comunicar efetivamente sua intenção antes de executar qualquer manobra que implique na mudança de direção ou velocidade, isto é, mudança de faixa ou redução na velocidade de deslocamento. O uso das setas e um pequeno toque na alavanca do freio, o suficiente para acender a luz de freio da motocicleta, são ações de advertência aos outros veículos, que podem evitar uma colisão ou engavetamento.
  • Ajustar velocidade: acelere ou reduza a velocidade para se ajustar ao fluxo, preparando-se para frear, se for necessário.
  • Ajustar a posição na pista: mude de pista ou de direção, conforme for necessário, para evitar o perigo iminente.
O ajuste de velocidade ou da posição na pista vai depender do grau de perigo que esteja à frente ou nas imediações, o tempo de que dispõe e o espaço disponível para executar o ajuste.

Isto é muito importante, especialmente próximo de cruzamentos, sem sinalização com semáforo. 

Em todos os casos, sempre procure por uma área de escape, se a rodovia, estrada ou via assim o permitir. Ajuste sua velocidade baseado na possibilidade do veículo à sua frente frear de repente, de modo que tenha espaço e tempo para frenagem.

Aprenda a ver e processar o que está vendo. Sempre espere pelo imprevisto. Nunca deixe sua segurança dependendo da ação de outras pessoas, assumindo que irão parar, frear ou reduzir a velocidade. Procure contato visual com os motoristas, nos cruzamentos, certificando-se que notaram sua presença na via.

Assuma uma atitude de humildade, ao pilotar. Considere-se sempre um aprendiz, pois estamos sempre aprendendo na estrada.

Excelência na pilotagem quer dizer:

  • Estar com a mente ativa e atenta em qualquer ocasião.
  • Procurar ver e ser visto, todo o tempo.
  • Antecipar-se ao risco, principalmente em cruzamentos.
  • Entender que pilotar defensivamente e com segurança é usar os olhos e a mente; procurar os sinais de perigo, analisar todos os fatores e executar a manobra necessária de forma rápida e precisa.
Veja também: Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 4. Inspeção e Cuidado

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 4. Inspeção e Cuidado

Final da subida do Tail of the Dragon, Setembro 2011
Há algo de mágico no ato de pilotar uma motocicleta e na maneira como o efeito giroscópico das rodas girando engana a gravidade e permite que você siga em frente, no topo de dois estreitos pneus, sem cair.

De certa maneira, pilotar uma motocicleta é um ato de fé. Fé em que as leis da física vai mantê-lo na vertical nas curvas e no tope das colinas e fé de que sua motocicleta vai continuar rodando sem um defeito ou outros problemas que possam dar por terminado o seu passeio ou viagem.
Uma parte importante no pilotar com segurança é ter confiança de que sua máquina vai levá-lo até o destino, sem incidentes.

Para isto é necessário que você confie na sua motocicleta, sem restrições.  Ao entrar numa curva descendente, deve confiar que o freio motor e os freios dinâmicos serão capazes de diminuir a velocidade da motocicleta, para fazer a curva com segurança. Antes que você acelere para ultrapassar uma carreta bi-trem, você deve confiar de que o motor, a transmissão, a correia/corrente/eixo, não falharão.


Assegurar-se que sua motocicleta está em condições plenas de funcionamento, sem peças desgastadas ou próxima de falharem, é a base desta confiança. Afinal, o que pode ser um pequeno inconveniente numa automóvel, pode transformar-se numa tragédia numa motocicleta.

Assim, é fundamental certificar-se de que todos os componentes de sua máquina estão funcionando como devem. As motocicletas modernas, com toda a tecnologia embarcada, nos dão mais condições de antecipar um problema mecânico, elétrico ou eletrônico, do que nossos pais e avós conseguiriam no século passado.

Manutenção preventiva regular é a melhor maneira de garantir uma viagem sem problemas. Faça uma checagem antes de sair de casa e rode com mais tranquilidade.

Os itens que devem merecer sua atenção estão aqui (P-COLTA):

Pneus/Rodas  -  Controles  -  Óleos e outros fluídos  -  Luzes  -  Transmissão  -  Apoio

Pneus e Rodas

Talvez os componentes mais importantes de sua motocicleta são as rodas e os pneus. Afinal, você está montado neles!

Não subestime sua importância para a segurança na estrada.  Verifique regularmente a pressão dos pneus e mantenha-os calibrados conforme a recomendação do fabricante.  Este item é crucial para a vida útil do pneu e o seu desempenho. Pressão incorreta pode levar a um desgaste irregular, causando sérios problemas de estabilidade.

Um pneu com pressão abaixo do recomendado, aumenta a temperatura de rodagem e pode causar instabilidade em altas velocidades ou com a motocicleta em plena carga (piloto+garupa+bagagem).
Cuidado especial deve ser tomado com as ranhuras do pneu. Assegure-se que o desgaste não atingiu o ponto de substituição. Se isto tiver acontecido, troque os pneus antes de fazer qualquer viagem.

Pressão correta, baixa e alta
Claro, pneus furados são um fato da vida. Apesar de nunca ter tido um pneu de motocicleta furado em toda a minha vida de motociclista (e ponha tempo nisto . . .), já tive vários em automóveis. Sorte? Imagino que sim, em um carro é sempre mais fácil manter a estabilidade do veículo, parar e trocar o pneu.


Meios de verificar a profundidade do sulco do pneu.
Sulco com menos de 2 mm recomenda substituição do pneu.
Se sua motocicleta tiver um descanso central ou se você tiver um macaco de elevação disponível, aproveite para girar as rodas e inspecioná-las. Qualquer indício de rachadura (no caso de rodas de liga leve) ou afrouxamento dos raios, não use a motocicleta. Faça o reparo, correção ou troca, antes de empreender uma viagem. Aproveite para verificar se os rolamentos das rodas em funcionando corretamente e se não há algum movimento irregular ao girar as rodas.

Um elevador hidráulico facilita a inspeção
Está é a melhor hora, também, para uma inspeção nos freios, especialmente a espessura das pastilhas e o estado dos discos.

Controles

Os controles são os canais de comunicação entre você e sua motocicletas.
Verifique que estão firmes e ajustados e movimentando livremente. Veja se os cabos estão livres de serem pressionados pelo funcionamento da suspensão da motocicleta ou do guidão.  Certifique-se se há folga suficiente nos cabos e que não estão indevidamente esticados nos limites de movimento do guidão.


Assegure-se que não há folga excessiva nos cabos, incluindo o do acelerador.  Inspecione os tubos do sistema hidráulico dos freios e da embreagem (se sua motocicleta usar este tipo), assegurando que estão livres e sem compressão inadequada. Um tubo ressecado e com rachaduras indica necessidade de troca imediata. 
Reservatório de fluído, com vazamento
Verifique se há vazamento nos reservatórios do fluido de freio. Caso exista, troque a junta de vedação ou a tampa.

Óleos e outros fluídos

Mantenha sempre o nível de óleo do motor, de acordo com as especificações do manual do proprietário e nos intervalos recomentados. Se não souber qual é a recomendação, use a seguinte indicação:
  • Óleo mineral: troca da cada 4.000 km.
  • Óleo sintético: troca a cada 8.000 km.

Nunca misture dois tipos de óleo.


A troca do óleo lubrificante é muito importante para garantir a longevidade do motor. Depois de alguns milhares de quilômetros rodados, as moléculas do óleo do motor se dividem e este perde sua capacidade de lubrificar corretamente as peças móveis do motor. Isto é muito importante pois em muitas motocicletas o óleo do motor também lubrifica a transmissão e a embreagem. A troca do filtro de óleo deve acontecer a cada duas trocas do fluído.


Filtro de óleo num motor V-Twin Harley-Davidson
A falha nos motores ocorre mais frequentemente em condições de maior exigência mecânica, como em regime de alta rotação, sobrecarga ou falta de lubrificação por níveis baixos do lubrificante ou no caso de lubrificante envelhecido. Felizmente, raramente ocorre sem sintomas anteriores, como dificuldade na partida, falha na aceleração ou ruídos anormais.

Verifique, também, o nível do líquido de arrefecimento, se sua motocicleta tiver este sistema. Manter o motor funcionando na temperatura correta, aumenta seu rendimento e alonga sua vida útil.
Certifique-se que o combustível usado é de boa qualidade e limpe/troque o filtro dentro das especificações do manual do proprietário.

Luzes

Componentes elétricos e eletrônicos são relativamente sensíveis ao clima e a vibrações, por isso é importante inspecioná-los para ter certeza que estão devidamente acondicionados. Falhas elétricas são particularmente difíceis de detectar, especialmente na estrada.


O farol deve estar bem fixado e devidamente alinhado tanto na luz baixa como na luz alta.
Verifique se as setas de indicativas de direção e as luzes de freio (mão e pedal) funcionam devidamente.  Confira também o botão de corte de energia e a buzina.

Os cabos elétricos devem estar bem fixados e sem sofrer atritos do tanque de combustível ou dos bancos.

Mantenha a bateria de sua motocicleta sempre em plena carga. Se não roda com muita frequência, invista em um carregador de bateria com carga de manutenção. São baratos e prestam um grande serviço ao manter a carga da bateria acima de 90%, mesmo com a motocicleta parada por muito tempo.

Tive uma Harley-Davidson Ultra Glide 2007 que foi vendida sete anos e 53.000 km depois, com a bateria original funcionando normalmente. Um carregador inteligente da H-D me ajudou nisto.

Carregador inteligente da Harley-Davidson
Mantenha os terminais da bateria sempre limpos e bem apertados. Coloque um isolante elétrico entre o piso e o descanso da sua motocicleta. Isto ajudará a manter a carga da bateria.


Apoios para o descanso lateral são encontrados em diversas formas
Como o negativo da bateria está conectado ao chassis, haverá uma relativa perda de carga através do contato do descanso com o solo. Uma simples faixa de borracha ou de madeira já será suficiente. Existem no mercado apoios de descanso, feitos em plástico, que se prestam bem para esta função.

Transmissão

Juntamente com a transmissão, deve ser verificado as condições do quadro da motocicleta, especialmente referente a rachaduras ou corrosão. Se possível levante a roda dianteira e verifique se o guidão move livremente para os dois lados, sem ruídos anormais ou “calos”. Aproveite para verificar a suspensão dianteira. Confira se a roda gira livremente e não apresenta anormalidade nos rolamentos.

Depois levante a roda traseira e faça a mesma inspeção, agregando uma checagem da balança e da suspensão traseira. Se sua motocicleta for equipada com suspensão pneumática, confira se está com a pressão recomendada.

Muitas motocicletas ainda usam correntes na transmissão final e demandam um cuidado maior do que aquelas equipados com correia de transmissão ou sistema de eixo cardã. A corrente deve estar sempre lubrificada com produto de boa qualidade.

Tanto nas motocicletas com transmissão por corrente ou por correia, a tensão deve estar dentro da faixa recomendada no manual do proprietário. Verifique e ajuste, se necessário.

Folga máxima da correia dentada da transmissão, numa H-D
Nas motocicletas com transmissão por eixo cardã, verifique se o fluído está no nível correto e se não há vazamentos.

Apoio

Verifique se o apoio lateral e central (se houver) recolhem corretamente e se mantém na posição recolhida durante a movimentação da motocicleta. Um apoio arriado quando rodando pode atingir o pavimento e provocar uma queda, especialmente em curvas.

A motocicletas mais modernas são equipadas com o sistema que corta a ignição se o apoio estiver estendido.

Outras Considerações

A inspeção é mais efetiva se a motocicleta estiver limpa. Sujeira, graxa, lama e outros resíduos da estrada podem esconder deficiências que permanecem sem serem notadas. Lavagem regular não só ajuda em mantê-la com aparência mais nova como também prolonga sua vida. Descarga de motores, especialmente de caminhões pesados, resíduos do asfalto, poeira e outros produtos químicos encontrados nas estradas, atacam a pintura e os cromados da motocicleta, além de penetrar nas partes móveis e aumentar seu desgaste.

Pequenos incidentes também podem ocorrer e criar situações que requerem atenção. Um tombamento da motocicleta na garagem ou no estacionamento, por exemplo, é mais comum do que se pensa, especialmente com as motocicletas mais pesadas. 
Se isto ocorrer, verifique cuidadosamente os comandos instalados no guidão, assim como o pedal de freio e a alavanca de mudança de marcha.

Alguns desalinhamento é suportável, desde que se possa acionar os comandos livremente. Entretanto qualquer problema maior que dificulte a pilotagem, recomenda-se não usar a motocicleta e transportá-la para uma oficina, onde o problema seja corrigido.

Muitos itens de manutenção preventiva ou corretiva são de procedimentos simples e podem ser feitos por você mesmo, se tiver o conhecimento e as ferramentas adequadas. 
Outros requerem um mecânico treinado e com equipamentos especiais. Este fato é cada vez maior nas motocicletas com muita tecnologia instalada.

Conheça seus limites. Se tiver dúvida sobre sua capacidade de executar um trabalho, prefira procurar um profissional competente. Não comprometa a sua segurança para economizar alguns trocados ou ganhar alguns minutos.

A sua pilotagem será melhor na mesma proporção do desempenho da sua motocicleta. E ela terá um desempenho melhor se for devidamente cuidada.

Excelência na pilotagem quer dizer:

  • Inspecionar a motocicleta antes de cada viagem ou passeio
  • Inspecionar e manter a motocicleta com o mesmo desempenho operacional que tinha quando nova
  • Manter a motocicleta de acordo com as recomendações da montadora e observar indícios de que uma manutenção corretiva é necessária
  • Escolher um mecânico competente para reparar e fazer a manutenção de itens que você não tem habilidade ou conhecimento para fazê-lo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 3. Como Começar?


Antes de andar, devemos aprender a engatinhar.

Assume-se que nosso leitor(a) já seja motociclista habilitado e tenha pelo menos alguma experiência, ainda que só em perímetro urbano.

Não vamos entrar nos detalhes básicos da pilotagem, explicando cada um de seus componentes e a maneira correta de operá-los.


Vamos discutir, no lugar disto, os pre-requisitos mais importantes para uma pilotagem com excelência.

O que é mais importante? Bons pneus? Um motor potente? Freios ABS? Ainda que todos estes sejam elementos importantes para a segurança na pilotagem, mais importante de todos é o complexo sistema que está posicionado entre as suas orelhas: o seu cérebro.

Da mesma forma que você não deseja sair na estrada com pneus carecas ou com o motor vazando óleo, você não deve pilotar sua motocicleta se a sua mente não estiver em sintonia. E esta sintonia implica na combinação de estar preparado e conduzir o veículo com consciência.

É importante conhecer sua motocicleta e estar familiarizado com todos os comandos. Quando estiver na estrada, com certeza não é a hora de aprender a utilizá-los. O mesmo se aplica, é claro, para os acessórios, seja o rádio, o intercomunicador, o GPS ou os comandos de tração e de suspensão.

Você deve estar treinado na operação da sua motocicleta e saber exatamente como usar os acessórios que necessitará neste momento.

Assim, não programe uma viagem longa em uma motocicleta nova, que você não conheça bem. Comece aos poucos, com passeios mais curtos, de preferência em estradas de pouco movimento, onde você estará mais tranquilo para observar como a motocicleta se comporta nas várias situações. Um treinamento importante, nesta fase, é testar os freios, para ter certeza de que eles farão o serviço na hora em que forem mais necessários (discutiremos este ponto, mais tarde).

Treinamento é tudo, quando se opera um veículo ou uma máquina. Familiarizar-se com sua motocicleta é fundamental para permitir uma pilotagem com segurança.

Igualmente importante é eliminar ou minimizar qualquer fator que coloque em risco sua habilidade ao pilotar, incluindo aí sua capacidade de discernimento.

Álcool ou outras drogas podem afetar e reduzir sua capacidade de compreensão do perigo e de como reagir. Devem ser eliminadas completamente ao pilotar uma motocicleta.

Da mesma forma, outras situações podem afetar sua capacidade na condução de uma motocicleta, como fome, necessidade fisiológicas e fadiga.

A sonolência, muito comum nas tardes quentes de verão, é um fator que aumenta ainda mais os riscos de acidentes.

Estudos conduzidos por entidades internacionais de transporte concluíram que 20% do acidentes com qualquer veículo estão relacionados com fadiga do condutor.

Outros estudos indicam que 68% dos acidentes acontecem nos primeiros 12 minutos de uma viagem e que 57% em percursos de 10 quilômetros ou menos.

Estar mentalmente preparado é crucial para uma pilotagem segura. Portanto, evite trechos longos.
Conheça suas limitações e não as ultrapasse.

Excelência na pilotagem quer dizer:

  • Entender a importância de ter uma boa estratégia mental e habilidades na condução de sua motocicleta.
  • Saber que uma vantagem na redução dos riscos é ter uma atitude saudável e responsável sobre pilotagem com segurança.
  • Preparar-se mentalmente para cada trecho da viagem ou passeio.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 2. Controlando o Risco


Quase toda atividade humana envolve algum risco. Andar na rua, fazer tarefas domésticas ou mesmo comer alguma coisa fora de casa são ações rotineiras que podem resultar em consequências desagradáveis ou até mesmo perigosas. Viver com tranquilidade significa controlar os riscos e trazê-los a níveis aceitáveis. O mesmo princípio aplica-se ao motociclismo – pilotar uma motocicleta com segurança implica em conhecer os riscos inerentes, sua habilidade e limitações como condutor, controlando suas ações de maneira a reduzir o risco ao mínimo possível.

Controlar o risco é um exercício constante de percepção e reação. Quando mais cedo você perceber  o risco e mais rápido processá-lo mentalmente, melhor estará preparado para confrontar a situação e sair dela sem danos. Quando o piloto fica relaxado ou quando o perigo não é identificado, o risco assume proporções maiores.

Além da atenção e da habilidade na pilotagem, a manutenção da motocicleta é outro fator preponderante para um experiência sem acidentes. Certifique-se que sua motocicleta esteja em boas condições de rodagem, sem peças ou partes desgastadas ou avariadas ou necessitando de alguma manutenção que possa comprometer sua capacidade de controle. Da mesma maneira, use sempre roupa adequada e em boas condições.

Mais que tudo, tenha certeza que você aprendeu corretamente a pilotar a sua motocicleta. Não se envergonhe de perguntar aos mais experientes a maneira mais segura de comportar-se ao enfrentar uma rota desconhecida, seja uma serra com estrada sinuosa, viagem com chuva ou estrada sem pavimentação.

Não há vencedor nesta disputa.
Pilotar na cidade não é o mesmo que fazê-lo na rodovia, com caminhões trafegando a 110 km/hora e automóveis querendo ultrapassá-lo em velocidades ainda mais altas.

A pilotagem correta é alcançada com experiência. E experiência é obtida com tempo na estrada. E todos continuamos melhorando nossa habilidade em conduzir uma motocicleta, na medida que procuramos fazê-lo cada vez melhor e com mais segurança.

A melhor maneira de controlar o risco é entender aos seguintes parâmetros:
  • Motociclismo pode melhorar muito sua qualidade de vida, pelos benefícios inerentes à atividade (companheirismo, sensação de liberdade, baixo estresse).
  • Compromisso com segurança e respeito às condições de tráfego são essenciais.
  • Reconhecimento de que pilotar uma motocicleta requer mais habilidade e concentração que do dirigir um automóvel.
  • Reconhecimento dos riscos inerentes ao motociclismo e sua capacidade em reduzi-los; entendimento de suas habilidades e capacidades física e mental.
  • Escolha de sua motocicleta baseada nas suas necessidades e no seu nível de pilotagem e experiência e em sua capacidade física.
Quando pilotando, recebemos informações constantes do que se passa à nossa frente, ao nosso redor e atrás de nós. Analisar estas informações é fundamental para gerenciar o nível de risco. A mente humana é uma ferramenta incrível quando devidamente treinada. O nosso cérebro nos fornece as informações coletadas pelo nossos sentidos e, facilmente, prioriza perigos, compara situações e nos dá uma lista mental das reações possíveis.

Enquanto pilotando uma motocicleta você não é um participante passivo e sim um agente ativo e suas ações e decisões vão definir o nível de risco daquele momento. Não assuma nada. Não espere nada. Deixar a sua sorte nas mãos de outras pessoas ─ seja um motorista de caminhão que está ultrapassando numa rodovia ou um pedestre atravessando a rua fora da faixa ─ é permitir que outra pessoa assuma o comando da sua motocicleta. E o resultado, na maioria das vezes, é desastroso.

Certifique-se de estar sempre visível
Quando pilotando você tem muito a perder se permitir que decisões sejam tomadas por alguém, além de você mesmo. Num cruzamento, nunca assuma que o outro veículo vai parar e ceder a passagem. Numa ultrapassagem, nunca imagine que o motorista do veículo a ser ultrapassado está ciente de sua presença ao lado.

Para pilotar com segurança você tem que assumir o controle da situação, em todos os momentos. Terá que estar preparado para reagir com rapidez e habilidade e garantir sua saída incólume em qualquer situação de perigo.

Veja também: Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 1. Enfrentando o Desafio

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pilotagem: A Busca Pela Excelência – 1. Enfrentando o Desafio


Excelência: Substantivo feminino. 1. Qualidade de excelente; primazia.
                     Por excelência. 
No grau mais alto; com primazia; acima de tudo.
Pilotar com excelência: conduzir o veículo (motocicleta, avião, navio, automóvel, etc.) com habilidade e destreza, utilizando todos os recursos e conhecimentos disponíveis para um percurso seguro e eficiente.

Com estes conceitos em mente, estou postando uma série de artigos destinados a ajudar àqueles que se interessam por motociclismo com segurança, a alcançar a Excelência na Pilotagem.

Enfrentando o Desafio


Como com qualquer veículo em movimento, motociclismo involve risco, mas o risco pode ser controlado com habilidade,  destreza, preparo físico e processo mental desenvolvido para a atividade.

Para melhorar a habilidade e a destreza, é fundamental conhecer as características de uma motocicleta. O piloto (e o/a garupa) é fisicamente vulnerável. O percentual de ferimentos e morte em acidentes com motocicletas é muito maior do que com acidentes com automóveis.

Nos automóveis, muitos dos ferimentos e até a morte são evitáveis com o uso de equipamentos de segurança (cintos e “air bags"), atenção na direção, dirigir sem influência de drogas ou alcoól e observância da sinalização e leis de trânsito.

Da mesma maneira, muitos ferimentos e mortes no motociclismo podem ser evitados com treinamento, equipamento correto e sobriedade.

Básicamente a possibilidade de consequências físicas num acidente de motocicleta pode ser grandemente reduzida se o piloto (e o/a garupa) estiverem usando equipamente de segurança como capacete aprovado, proteção para os olhos, jaqueta e calças resistentes à abrasão, luvas e botas adequadas.

Motociclista bem equipado: capacete integral, luvas, botas, roupas resistentes à abrasão.
Mas mesmo com o equipamento  adequado, a capacidade de julgamento do piloto e sua atitude são os fatores críticos mais importantes para evitar um acidente. Erro do piloto é o fator preponderante na maioria dos acidentes sem envolvimento de terceiros. 

Pode-se evitar acidentes ou minimizar as consequências, se o piloto aplicar uma boa estratégia mental ou souber a técnica apropriada de desviar e de frear. Estes são comportamentos que podem ser aprendidos - habilidades que podem ser adquiridas com treinamento e com prática.

Outro fator importante a se considerar é a baixa visibilidade de uma motocicleta. Na maioria dos acidentes com outros veículos, especialmente quando o outro veículo atravessa na frente da motocicleta, motoristas sempre dizem que "não viram a motocicleta," o que pode ser verdade, sem dúvida. Em outros casos, eles conseguem enxergar a motocicleta mas calculam mal sua velocidade e distância. Quando mais visível a motocicleta e seus ocupantes estiverem, maior a possibilidade de serem vistos e menor a chance de se envolverem em acidentes com outros veículos.

Treinamento é muito importante. O que se aprende nas Auto Escolas é o mínimo necessário para ser aprovado no teste do Detran. Não se aprende a pilotar ali. Além do fato de que pilotar uma motoneta ou motocicleta de 100 kg em ruas da cidade, com velocidade máxima de 50 km/h é muito diferente de estar numa rodovia, com uma motocicleta de 300 kg ou mais, rodando a 100 km/h!