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terça-feira, 6 de setembro de 2022

FAB resgata tripulante de navio na costa de Pernambuco

 

O Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV) – Esquadrão Falcão, sediado na Base Aérea de Natal (BANT), em Parnamirim (RN), resgatou, no dia 31 de agosto, um homem com suspeita de colecistite e com fortes dores abdominais, tripulante do navio de perfuração WEST KARINA. O navio navegava no litoral Pernambuco.

O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), Organização da Força Aérea Brasileira (FAB) responsável pela coordenação de missões aéreas, acionou o Esquadrão após o contato do Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Recife (SALVAERO Recife).

 Os primeiros contatos do navio com os órgãos do Sistema de Busca e Salvamento foram realizados quando a embarcação estava navegando a cerca de 150 milhas náuticas à leste de Recife (PE).

A aeronave H-36 Caracal decolou de Parnamirim (RN), às 15h48, e seguiu diretamente para a vertical do navio para efetuar o resgate do tripulante por meio do içamento com o uso de um guincho de resgate.

O H-36 é um Airbus Helicopters H225M Caracal (também chamado de Super Cougar), um helicóptero de transporte tático de longo alcance, desenvolvido a partir do Eurocopter AS532 Cougar, para fins militares.

A tripulação do helicóptero empregado nesta missão era composta por nove militares, sendo dois pilotos, dois operadores de equipamentos, três homens de resgate, um médico e um enfermeiro. Após o içamento da vítima, a aeronave prosseguiu para Recife, onde pousou às 19h30 (horário local).

De acordo com o Comandante da aeronave, Capitão Aviador Pallony Figueiredo Ferreira, apesar dos treinamentos contínuos de resgate no mar realizados em cooperação com os Navios do Terceiro Distrito Naval, a missão de resgate em convés exige bastante atenção dos tripulantes em função de fatores como distância das bases de apoio, características das embarcações, condições meteorológicas na área do resgate, entre outras. “O preparo das equipes de resgate é fundamental para o sucesso dessa atividade”, destacou.

O Operador de Equipamentos, Sargento Cléto Cabral da Silva Bisneto, que participou dessa missão, ressaltou que a agilidade dos órgãos do Sistema de Busca e Salvamento foi fundamental para a realização da missão. “A agilidade no acionamento possibilitou que o resgate fosse efetuado antes do pôr do sol, o que facilitou o içamento da vítima”, concluiu.

Fonte: Força Aérea Brasileira, com fotos do  1°/8° GAV

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Marinheiros Mercantes dos EUA recebem Medalha de Ouro do Congresso

 

Os marinheiros mercantes americanos que serviram durante a Segunda Guerra Mundial receberam a Medalha de Ouro do Congresso durante uma cerimônia no Capitólio dos EUA na quarta-feira, 18/5/2022.

Dez veteranos da Segunda Guerra Mundial da Marinha Mercante dos EUA estavam presentes para receber a medalha de ouro em nome de todos os marinheiros mercantes dos EUA da Segunda Guerra Mundial e os cerca de 1.500 veteranos que ainda vivem.

Não é amplamente conhecido que a Marinha Mercante dos EUA sofreu a maior taxa de baixas de qualquer ramo das forças armadas dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Dos 243.000 marinheiros que serviram na guerra, 9.521 morreram enquanto serviam, o que significa que cerca de quatro por cento de fatalidade.

A Marinha Mercante arriscou suas vidas para fornecer serviços cruciais aos militares dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, operando navios comerciais e não navais para transportar soldados, tanques, aviões, munição, combustível e rações alimentares para ajudar os soldados nas linhas de frente. Os marinheiros mercantes também experimentaram algumas das primeiras ações da guerra devido a submarinos alemães atacarem navios mercantes britânicos no Atlântico, interrompendo as cadeias de suprimentos para aliados americanos.

Em 2020, o ex-presidente Donald Trump assinou a lei Merchant Mariners of World War II Congressional Gold Medal Act, que foi aprovada por unanimidade pelo Congresso. Embora tecnicamente a Medalha de Ouro tenha sido concedida com a assinatura da lei, a premiação oficial foi adiada devido à pandemia do COVID-19 e somente agora realizada.

 “A bravura demonstrada pelos marinheiros mercantes dos EUA para manter as forças aliadas abastecidas durante a Segunda Guerra Mundial é inigualável”, disse Dru DiMattia, presidente da American Merchant Marine Veterans (AMMV). “Diante dos ataques direcionados de submarinos e submarinos alemães, os marinheiros mercantes desarmados enfrentaram o momento com resiliência e coragem e serviram de inspiração para toda a marinha americana.”

Trinta e nove navios brasileiros afundaram durante a Segunda Guerra Mundial (37 por ataque de submarinos), com a perda de 1.474 vidas.


Os mortos da Marinha de Guerra (502) e da Marinha Mercante (972) são homenageados no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.



Mudança da Guarda no Monumento

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Ministério da Defesa aprova Plano de Reequipamento da Marinha do Brasil

 

NAM “Atlântico” A140, navio-capitânea da Esquadra Brasileira

As mudanças na conjuntura mundial levaram o governo brasileiro a acelerar o reequipamento das Forças Armadas.

No âmbito da Marinha do Brasil, o Ministério da Defesa determinou o restabelecimento do Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil – PAEMB 2040, que tem como objetivo obter meios navais e aeronavais para o período 2025/2040. Com isto a Marinha do Brasil consolidará sua posição como a maior potencia naval da América Latina.

Previsto no Plano, a Marinha do Brasil finalmente implantará a Segunda Esquadra, que será localizada na Região Norte/Nordeste do Brasil na década de 2030.

Dois navios aeródromos de múltiplos propósitos estão previstos no novo PAEMB, com a construção da primeira unidade iniciando em 2025 e incorporado em 2030. Uma segunda unidade deverá ser construída a partir de 2031.

Os navios serão baseados no LHD "Juan Carlos I", da Marinha espanhola.

LHD Juan Carlos I

AV-8B Sea Harrier II a bordo do Juan Carlos I
Características do "Juan Carlos I":

  • Comprimento: 231 m
  • Boca: 32 m
  • Calado: 7 m
  • Velocidade: 21 nós
  • Alcance: 9.000 milhas
  • Capacidade: 900 fuzileiros navais + 46 tanques Leopard 2E
  • Aeronaves: AV-8B Harrier II + helicópteros Chinook, Sea King e NH-90

Para a Aviação Naval, a MB planeja adquirir 24 caças F-35B Lightning II, já tendo iniciada as negociações com a Lockheed Martin, fabricante da aeronave.

F-35B do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA

Pouso operacional no USS America

Especificações do Lockheed Martin F-35B Lightning II:

  • Tipo: Caça supersônico capaz de pouso e decolagem vertical e/ou curta (STOVL)
  • Tripulação: 1
  • Comprimento: 15,7 m - Envergadura: 11 m
  • Velocidade máxima: Mach 1.6
  • Alcance: 900 milhas náuticas (505 milhas náuticas em combate)
  • Teto de serviço: 15.000 m
  • Armamento: canhão GAU-22/A de 25 mm, rotativo + 4 pontos duros internos e 6 externos para até 8.200 kg de bombas e mísseis.

Navios de superfície

Serão construídos  20 navios-escolta da classe Meko A300 e 10 fragatas da classe “Tamandaré”. 

Concepção artística da Fragata "Tamandaré"

As primeiras quatro fragatas da Classe "Tamandaré" começaram a ser construídas em 2021 nos estaleiros do consórcio Thyssenkrupp Marine Systems - Embraer Defense & Security, em Itajai, SC. 

A previsão é de entrega anual da cada fragata, a partir de 2025:

  • F35 Tamandaré (2025)
  • F36 Jerônimo de Albuquerque (2026)
  • F37 Cunha Moreira (2027)
  • F38 Mariz e Barros (2028)

Características das fragatas da Classe "Tamandaré":

  • Deslocamento: 3.500 t
  • Comprimento: 107 m - Boca: 16 m - Calado: 6 m
  • Velocidade: 14 nós
  • Alcance: 4.000 milhas náuticas
  • Armamento: mísseis superfície/ar, anti-navio, torpedos Mark 46 e canhões (1 OTO Melara 76mm, 1 Rheinmetall Sea Snake 30mm e 2 FN Herstal de 1,27mm)
  • Aeronaves: S-70B Seahawk ou Super Lynx ou Eurocopter EC725 + 1 drone UAV
  • Tripulação: 136 oficiais e praças

Serão construídos 12 Navios-Patrulha Oceânicos (NPaOc) de 2.000 toneladas usando o mesmo casco da classe “Amazonas”, mas com novo sistema de armas.

 


A primeira unidade deve ser incorporada em 2025. As demais a cada dois anos.

Submarinos

S41 Humaitá

A MB ampliou o Plano e irá construir 8 submarinos de propulsão diesel-elétrica , com a encomenda de um segundo lote de 4 submarinos.

Os primeiros são o S40“Riachuelo” (entregue em 2019), S41 “Humaitá””(lançado em 2020), S42 “Tonelero” e S43 “Angostura.

Os 6 submarinos de propulsão nuclear (SN-BR) serão mantidos no PAEMB 2040. O primeiro, em construção ("Álvaro Alberto"), deverá ser incorporado antes de 2030 com o aporte de novos recursos já liberados.


Navios de Apoio Logístico

O PAEMB 2040 prevê 5 Navios de Apoio Logístico (NApLog), o primeiro sendo contratado até 2025 e incorporado em 2029. Mais duas unidades devem ser contratadas até 2031.

Estes navios serão da classe italiana LSS Vulcano com capacidade de abastecimento no mar de  combustíveis, lubrificantes, munições, sobressalentes, água e gêneros alimentícios.

LSS "Vulcano", da Marinha Italiana
Características do LSS "Vulcano":

  • Deslocamento: 27.200 t
  • Comprimento: 193 m - Boca: 27 m - Calado: 9 m
  • Velocidade: 20 nós
  • Alcance: 7.000 milhas náuticas
  • Porte: 15.500 tpb (10.000 t de combustível + 830 t de água + 4.000 t de carga seca)
  • Capacidade de transporte de pessoal: 188 militares + 13 pacientes no hospital de bordo
  • Tripulação: 167 oficiais e praças

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Marinha dá início às comemorações do Bicentenário da Independência

 

NVe "Cisne Branco
A Marinha do Brasil deu início às comemorações oficiais pelos 200 anos da Declaração da Independência.

A Marinha de Tamandaré, invicta - sem nunca ter perdido uma batalha - e cada vez mais respeitada mundialmente (é a segunda maior Marinha das Américas) lidera o calendário oficial para celebrar os dois séculos da nossa independência.

O Bicentenário da Independência do Brasil acontecerá no dia 7 de setembro deste ano, mas as comemorações foram iniciadas neste fim de semana, sendo a cidade do Rio de Janeiro a sede do evento Velas Latinoamerica 2022, entre os dias 13 e 20 de fevereiro. O evento, que acontece de quatro em quatro anos, reunirá navios de sete países das Américas (Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e México). O Brasil é o país anfitrião desta edição e tem como representante o Navio-Veleiro (NVe) “Cisne Branco”.

"O maior objetivo do evento é fortalecer os laços de amizade e profissionalismo, por meio do intercâmbio operacional e cultural entre as marinhas latinoamericanas", afirmou o porta-voz do Velas Latinoamerica, Capitão de Mar e Guerra Claudio Sousa Freitas.

No domingo, a cidade do Rio de Janeiro foi palco do desfile com os sete veleiros participantes, passando pelas praias da Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema e Copacabana. Os navios que participaram foram “Cisne Branco” (Brasil), “Libertad” e “Bernardo Houssay” (Argentina), “Guayas” (Equador), “Unión” (Peru), “Capitán Miranda” (Uruguai) e “20 de Julio” (Colômbia). O navio mexicano “Cuauhtémoc” não participará da etapa brasileira.












terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Navios da Marinha dos EUA apreendem grandes quantidades de armas ilegais

 

Militares da Guarda Costeira dos EUA fazendo a abordagem

Navios da Marinha dos EUA apreenderam cerca de 1.400 fuzis AK-47 e 226.600 cartuchos de munição em um navio de pesca apátrida (sem bandeira) no norte do Mar da Arábia, em uma abordagem de rotina no dia 20 de dezembro, segundo comunicado 5ª Frota da Marinha americana.

Os navios de patrulha da Marinha dos EUA, USS Tempest e USS Typhoon, encontraram as armas durante uma busca realizada por pessoal  da Guarda Costeira dos EUA, de acordo com regras do direito internacional. As armas e munições ilícitas foram posteriormente transportadas para o contratorpedeiro USS O’Kane, onde aguardam a disposição final.

USS Tempest
O navio apátrida era originário do Irã e transitava por águas internacionais em uma rota historicamente usada para traficar armas ilegalmente para os Houthis, no Iêmen. O fornecimento, venda ou transferência direta ou indireta de armas para os Houthis viola as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as sanções dos Estados Unidos.

Os cinco tripulantes da embarcação se identificaram como cidadãos iemenitas e serão devolvidos ao Iêmen.

Depois de remover a tripulação e a carga ilícita, foi determinado que o navio apátrida era um perigo para a navegação comercial e afundado a tiros de canhão.

As forças navais dos EUA realizam regularmente operações de segurança marítima no Oriente Médio para garantir o livre fluxo do comércio legítimo e interromper o transporte de carga ilícita que muitas vezes financia o terrorismo e outras atividades ilegais. Os navios de guerra da Marinha dos EUA operando na região da 5ª Frota apreenderam aproximadamente 8.700 armas ilícitas em 2021.

O cruzador USS Monterey apreendeu dezenas de mísseis guiados antitanque de fabricação russa, milhares de rifles de assalto chineses Tipo 56 e centenas de metralhadoras PKM, rifles de precisão e lançadores de granadas propelidos por foguete de um navio sem bandeira, em trânsito no Mar da Arábia em maio.

Convés do USS Monterey e as armas apreendidas
Em fevereiro, o contratorpedeiro USS Winston S. Churchill apreendeu um esconderijo de armas na costa da Somália, incluindo milhares de rifles de assalto AK-47, metralhadoras leves, rifles de precisão pesados e lançadores de granadas propelidos por foguetes. 

USS Winston S. Churchill
A área de operações da 5ª Frota da Marinha dos EUA abrange aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados de mar que inclui o Golfo Pérsico, Golfo de Omã, Mar Vermelho, partes do Oceano Índico e três pontos críticos de estrangulamento de tráfego marítimo: Estreito de Hormuz, Canal de Suez e Estreito de Bab-al-Mandeb (entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden).




quarta-feira, 28 de abril de 2021

A pandemia está prejudicando o aeromodelismo?

 

N/M "Cap San Juan", da Hamburg Sud.
Desde meados de 2020 o histerismo que acompanha a pandemia do coronavirus começou a impactar a logística internacional.

90% de tudo o que é produzido e comercializado neste planeta é transportado por navios nos oceanos, lagos, rios e canais navegáveis.

A Marinha Mercante mundial transporta mais de 11 bilhões de toneladas, todos os anos. Os valores gerados na navegação chegam a mais de 14 trilhões de dólares anualmente!

Mais de 50.000 navios, registrados sob as bandeiras de 150 nações e operados por mais de um milhão de tripulantes executam esta missão.

Estes números são de 2019 e, claro, foram fortemente atingidos pela recessão causada pela maneira atrapalhada com que a maioria dos países do mundo vem conduzindo esta emergência sanitária.

Mesmo assim, a projeção é de aumento considerável para os próximos anos.

Mas o que está acontecendo hoje, depois de um ano do Covid-19?

Não há espaço nos navios! Não há containers em número suficiente para atender a demanda!

Quando os países pararam suas indústrias, fecharam seu comércio e colocaram todo mundo (ou uma boa parte dele) dentro de casa, as companhias de navegação começaram a desativar sua frota. Encomendas de novos navios e novos containers foram canceladas. Tripulações dispensadas.

Quando a economia mundial começou a recuperar-se, no final de 2020, a logística sentiu o resultado da loucura.

Um gargalo comercial originado do surto de COVID-19 fez com que as empresas americanas aguardassem ansiosamente por produtos da Ásia - enquanto na costa da Califórnia, dezenas de navios porta-container estão ancorados, incapazes de descarregar sua carga.

A pandemia tem causado estragos na cadeia de abastecimento desde o início de 2020, quando forçou o fechamento de fábricas em toda a China. As sementes dos problemas atuais foram plantadas em março passado, quando os americanos ficaram em casa e mudaram drasticamente seus hábitos de compra - em vez de roupas, eles compraram eletrônicos, equipamentos de ginástica e produtos de reforma. As empresas americanas responderam inundando as fábricas asiáticas reabertas com pedidos, levando a uma reação em cadeia de congestionamento e obstáculos nos portos e centros de carga em todo o país quando as mercadorias começaram a chegar”.(Associated Press, março 2021)

Aqui no Brasil, se você tem um container para exportar, é melhor ter paciência; só há espaço disponível nos navios a partir de junho!!

Porta-container da Maersk no terminal Yangshan Deepwater Port, Shanghai.

Mas como isto tem afetado o aeromodelismo?

Da mesma maneira que tem afetado todo o resto: escassez e aumento de preço!

Há falta de baterias para aeromodelismo. Os kits desapareceram do mercado.

Grandes empresas que comercializam produtos para aeromodelistas, como a Horizon Hobby e Tower Hobbies dos EUA, têm produtos que estão fora de estoque há meses.

Site da Horizon Hobby - servos Spektrum

Um bom exemplo é o novo kit da Hangar 9 - OV-10 Bronco 30ccARF – anunciado em novembro de 2020 e com previsão de disponibilidade para entrega a partir junho de 2021!!!!

Faça uma busca no YouTube e os únicos Broncos que aparecem lá são os construídos pelo próprio pessoal da Horizon nos EUA e na Europa.

Mesmo nos sites chineses alguns produtos levam semanas em “back order”.

O distribuidor da Graupner nos EUA, Control Hobbies, não tem um servo, ao menos, para venda. A fábrica não recebe os chips empregados na sua fabricação e a melhor expectativa é que voltem a ser comercializados no final do ano, somente.

Vamos esperar para ver o acontece.


quarta-feira, 3 de março de 2021

Glenn L. Martin Company JRM Mars - o maior hidroavião militar da Segunda Guerra Mundial

 

Martin JRM Mars
O Martin JRM Mars é um hidroavião quadrimotor de transporte, projetado e construído pela Glenn L. Martin Company (atualmente parte da Lockheed Martin Corporation) para a Marinha dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial.

Um dos protótipos. Observe a diferença na cauda entre
o protótipo e a versão final
Foi o maior hidroavião Aliado a entrar em produção, embora apenas sete tenham sido construídos (2 protótipos).


A Marinha dos Estados Unidos contratou o desenvolvimento do XPB2M-1 Mars em 1938 como um hidroavião de patrulha oceânica de longo alcance. O primeiro voo foi realizado em junho de 1942.

Batizadas de Marianas Mars, Philippine Mars, Marshall Mars, Caroline Mars e Hawaii Mars, as cinco aeronaves entraram em serviço em novembro de 1943 e foram empregadas no transporte de cargas para o Havaí e as Ilhas do Pacífico em janeiro de 1944.

O último avião de produção (o Caroline Mars) foi denominado JRM-2, equipado com motores Pratt & Whitney R-4360 de 3.000 hp e apresentava um peso máximo maior e outras melhorias.

Em 4 de março de 1949, o Caroline Mars estabeleceu um novo recorde mundial de passageiros ao transportar 269 pessoas de San Diego para Alameda, na Califórnia, num voo de 500 milhas.

Em 5 de abril de 1950, o Marshall Mars foi perdido perto do Havaí, quando um incêndio em um dos motores destruiu o avião após a evacuação da tripulação. Os "Quatro Grandes" restantes transportaram quantidades recordes de carga naval na rota São Francisco-Honolulu até 1956, quando foram desativados e estacionados na Naval Air Station Alameda.

O Marshall Mars pegando fogo perto de Honolulu
Em 1959 as aeronaves seriam vendidas pela Marinha como sucata, mas a empresa canadense Forest Industries Flying Tankers (mais tarde renomeada TimberWest Forest Ltd), fez uma oferta pelas quatro aeronaves e o estoque de peças sobressalentes. A empresa representava um consórcio de empresas florestais da Colúmbia Britânica, província do Canadá.

A venda foi concluída em dezembro de 1959 e as quatro aeronaves foram transportadas para a Fairey Aviation em Victoria, British Columbia, para conversão em bombardeiros de água. 

A conversão envolveu a instalação de um tanque de madeira compensada de 27.000 litros no compartimento de carga, com coletores retráteis para permitir o carregamento de água com a aeronave taxiando. Os coletores permitem que 30 toneladas de água sejam carregadas em 22 segundos. Mais tarde, alguns dos tanques de combustível  na fuselagem também foram substituídos por tanques de água.

Tanque de espuma/retardande de fogo na fuselagem do Philippine Mars
Nos anos seguintes duas aeronaves foram perdidas: Marianas Mars caiu perto de Northwest Bay, British Columbia, em 23 de junho de 1961,durante operações de combate a incêndios, com a perda de todos os quatro tripulantes. Pouco mais de um ano depois, em 12 de outubro de 1962, o Caroline Mars foi extensamente danificado pelo tufão Freda  no aeroporto de Victoria e desmontado.

O Hawaii Mars e o Philippine Mars tiveram sua conversão para hidroavião tanque completada após a perda das duas primeira aeronaves e entraram em serviço em 1963, voando por muitos anos no combate a incêndios em pontos críticos em florestas na Colúmbia Britânica e na Califórnia.

Martin JRM matrícula C-FLYL, ex-Hawaii Mars
Em  de abril de 2007, a TimberWest anunciou a venda de ambas as aeronaves para a Coulson Forest Products, uma empresa florestal de Port Alberni, British Columbia. 

Os dois hidroaviões são operados pela Coulson Flying Tankers e baseados em Sproat Lake, perto de Port Alberni, Colúmbia Britânica.

Os dois hidroaviões em manutenção em Port Alberni, Canadá
Com capacidade para transportar 27.276 litros de água e até 2.270 litros de concentrado de espuma para gelificar a queda de carga, os hidroaviões podem cobrir uma área de até 1,6 hectares.
Em Port Hardy, Canadá
Em 2016, o Hawaii Mars fez sua primeira aparição na EAA AirVenture, em Oshkosh. Um dos pilotos do translada até Oshkosh foi Kermit Weeks, dono do Fantasy of Flight, o renomado museu localizado em Polk City, nas vizinhanças de Orlando, Florida.

Aqui está o vídeo da viagem, postado pelo próprio Kermit Weeks no YouTube:


Atualmente apenas um dos hidroaviões está em operação.

Características

  • Tripulação: piloto, copiloto, mecânico de vôo e operador de bombas, com acomodações para uma segunda tripulação (a aeronave é equipada com dois banheiros completos, incluindo chuveiros)
  • Capacidade militar: 133 militares equipados ou 84 macas para pacientes e 25 enfermeiras ou 15.000 kg de carga, incluindo sete Jipes Willys
  • Água/Espuma: 27.000 kg
  • Comprimento: 35,74 m
  • Envergadura: 60,96 m
  • Largura da fuselagem: 4,11 m
  • Altura:  11,71 m flutuando; 15 m em terra
  • Calado do casco: 1,68 m
  • Peso vazio: 34.279 kg
  • Peso máximo de decolagem: 74.843 kg
  • Capacidade de combustível: 50.000 litros (consumo: 1.665 litros por hora)
  • Propulsão: 4 Wright R-3350 Duplex-Cyclone radial de 18 cilindros, 2,500 hp cada
  • Hélice: quadripá Curtiss Electric, 4,62 m de diâmetro, passo variável
  • Velocidade máxima: 356 km/h
  • Velocidade de cruzeiro:  310 km/h
  • Autonomia: 8,000 km
  • Teto de serviço: 14,600 pés (4,500 m)
Uma indicação do alcance da aeronave é dada por seu vôo mais longo - 7.040 km - de Patuxent River, Maryland, até Natal, no Rio Grande do Norte em 1944, transportando uma carga útil de 5.900 kg.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Consolidated Aircraft PBY Catalina - o mais efetivo hidroavião militar da Segunda Guerra Mundial

 

Consolidated PBY 5-A Catalina

O Consolidated PBY Catalina é uma aeronave anfíbia que foi fabricada nas décadas de 1930 e 1940 nos EUA, Canadá (620 unidades) e na União Soviética (27 unidades).

O Catalina serviu em todos os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos e nas Forças Aéreas e Marinhas de muitas outras nações. 

Os últimos PBYs militares em operação serviram até a década de 1980 na Força Aérea Brasileira.

O PBY foi originalmente projetado pela Consolidated Aircraft Corporation (fundada em 1923 em Buffalo, NY e com a fábrica em San Diego, Califórnia) para ser um bombardeiro de patrulha de longo alcance operacional. Sua missão era localizar e atacar navios de transporte inimigos, a fim de interromper as linhas de abastecimento inimigas.

Pensando em um conflito potencial no Oceano Pacífico, onde as tropas precisariam de reabastecimento em grandes distâncias, a Marinha dos EUA investiu milhões de dólares no desenvolvimento de hidroaviões (flying boats) de longo alcance para essa finalidade. Os hidroaviões tinham a vantagem de não necessitar de pistas, operando em rios, lagos e no mar.

Com o domínio americano no Oceano Pacífico desafiado pelo Japão na década de 1930, a Marinha dos EUA contratou a Consolidated, a Martin e Douglas, em outubro de 1933, para construir protótipos concorrentes para um hidroavião de patrulha.

A doutrina naval das décadas de 1930 e 1940 usava hidroaviões em uma ampla variedade de funções e a Marinha americana adotou os modelos Consolidated P2Y e Martin P3M para essa função em 1931, mas ambas as aeronaves tinham baixa potência e eram prejudicadas por alcance e cargas úteis limitadas.

Consolidated P2Y

Martin P3M
O projeto vencedor foi o XP3Y-1 da Consolidated (modelo 28 da empresa) com asa parasol com reforços externos e montada em um suporte sobre a fuselagem. Os flutuadores nas pontas da asa eram retráteis e formavam extremidades aerodinâmicas. 

O projeto do casco em duas etapas era semelhante ao do P2Y, mas o Modelo 28 tinha uma cauda cruciforme em balanço, em vez de uma cauda dupla reforçada com suporte. 

Uma aerodinâmica mais limpa deu ao Modelo 28 um desempenho melhor do que os projetos anteriores. 

A construção é toda em metal, com revestimento em chapa de alumínio reforçada,  exceto os ailerons e a borda de fuga da asa, revestidos com tecido.

O primeiro voo foi em 28/3/1935 e entrou em serviço ativo na U.S.Navy em outubro de 1936.

O PBY foi a aeronave mais numerosa de seu tipo utilizada pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial, empregada  ​​em guerra anti-submarina, patrulha marítima, escolta de comboio, ataque noturno, missões de busca e salvamento e transporte de passageiros e carga.

O Catalina operou em quase todos os teatros operacionais, servindo com distinção e desempenhando um papel proeminente e inestimável na guerra do Pacífico. Os PBYs são muito lembrados por seu papel de resgate, salvando a vida de milhares de tripulantes abatidos sobre a água e náufragos de navios afundados.

O Catalina marcou a primeira vitória ar-ar verificável da Marinha dos EUA sobre um avião japonês, no início da Guerra do Pacífico. Em 10 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram o Cavite Navy Yard, nas Filipinas. Numerosos navios e submarinos dos EUA foram danificados ou destruídos por bombas e fragmentos de bombas. Enquanto voava para um local seguro durante o ataque, o PBY do Tenente Harmon T. Utter foi atacado por três caças Mitsubishi A6M2 Zero. O contramestre Earl D. Payne, artilheiro lateral, abateu um dos Zeros, marcando assim a primeira vitória aérea da Marinha dos EUA no conflito.

O Catalina realizou uma das primeiras operações ofensivas contra os japoneses pelos EUA.  Em 27 de dezembro de 1941, seis Catalinas do Esquadrão de Patrulha 101 bombardearam navios  japoneses na Ilha Jolo, enfrentando uma forte oposição de artilharia pesada. Quatro Catalinas foram perdidos.

Durante a Batalha de Midway, quatro PBYs da U.S.Navy ( Esquadrões de Patrulha 24 e 51) fizeram um ataque noturno com torpedos contra a frota japonesa na noite de 3 de junho de 1942, inutilizando o petroleiro “Akebono Maru”. Foi o único ataque americano com torpedos bem-sucedido em toda a batalha.

Catalinas voando a partir de bases na costa atlântica dos EUA e da Irlanda, deram um efetivo apoio contra submarinos alemães, na defesa de comboios de navios mercantes que levavam armamentos, tropas e suprimentos para o Teatro de Operações da Europa.

4.051 PBYs  de todas as versões foram produzidos entre junho de 1936 e maio de 1945 para a Marinha, Forças Aéreas do Exército e Guarda Costeira dos Estados Unidos, nações aliadas e clientes civis.

A Força Aérea Brasileira voou Catalinas em missões de patrulha aérea naval contra submarinos alemães a partir de 1943. 

Um PBY-5 do 1º Grupo de Patrulha, sob o comando do Aspirante Alberto Martins Torres (mais tarde piloto do “Senta a Pua”, com 99 missões voadas na Itália), atacou e afundou o submarino alemão U-199 ao largo da costa sudeste do Brasil, no dia 31/7/1943.

O Arará, PBY-5 do 1º Grupo de Patrulha, atacando o U-199


Navios e submarinos afundados na costa do Brasil

Os hidroaviões também fizeram parte do Correio Aéreo Nacional. 

Em 1948, um esquadrão de transporte foi formado e equipado com PBY-5As convertido para o papel de transporte anfíbio. O 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA-1) foi baseado na cidade de Belém e voou Catalinas e C-47s até 1982. 


Os Catalinas eram convenientes para o abastecimento de destacamentos militares espalhados ao longo da Amazônia e no atendimento às populações carentes da região. Eles alcançaram lugares que, de outra forma, eram acessíveis apenas por helicópteros.

Hoje, o último Catalina brasileiro está exposto no Museu Aeroespacial (MUSAL), na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro.

PBY-5A/C-10A (oriundo da Real Força Aérea Canadense) voou
com a matrícula FAB 6527, de 1949 a 1982

Várias empresas comerciais brasileiras usaram o PBY depois da guerra, sendo os principais operadores a Panair do Brasil - que iniciou os Catalinas na Amazônia - e os Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul (mais tarde incorporado pela Varig), que assumiu os Catalinas na Amazônia depois que a Panair fechou.


Dois grande amigos e aeromodelistas, Comte. Emílio Celso Moura Chagas e Comte. Roberto Ortega Stonis (já falecido), iniciaram suas carreiras de mais de 30.000 horas de voo em aviões comerciais na Cruzeiro do Sul, nos anos 1960. Ambos foram comandantes-master nas linhas internacionais da Varig, voando MD-11 (Comte. Ortega) e DC-10, B-747 e B-767 (Comte. Celso) até aposentarem.

O Comte. Celso voou nos Catalinas da Cruzeiro na Amazônia por algum tempo.

Outro veterano do PBY Catalina foi meu vizinho, amigo e colega de clube de aeromodelismo, em Ocala, Flórida, Sydney Sherman. 

Sid alistou-se na U.S. Navy em 1942 com apenas 16 anos (usando uma certidão de nascimento adulterada!). Foi designado para a Aviação Naval e treinado como observador/artilheiro em Catalinas. 

No início de 1943 o seu esquadrão foi enviado para o Brasil, onde serviu até o término da guerra, incialmente em Belém e depois em Natal, Salvador e Rio de Janeiro, fazendo patrulhamento anti-submarino e de escolta de comboios de navios.

Em 2003 o Sid Sherman terminou a construção da réplica de um dos PBY que ele tripulou enquanto fazia patrulhamento costeiro no Brasil, durante a guerra. 

O Petty Officer First Class (U.S.Navy, Ret.) Sydney Sherman  faleceu em 2013.

Sid Sherman e seu PBY Catalina na pista do On Top
of the World R/C Flyers, em Ocala, FL (2004)

Sid Sherman e eu, na casa do nosso amigo Bob Gale, em Ocala, FL (2011)

Características gerais do PBY-5A

  • Tripulação: 10 (piloto, copiloto, mecânico de voo, radio-operador, navegador, operador de radar e 4 observadores/artilheiros.
  • Comprimento: 19,48 m
  • Envergadura:  32 m
  • Altura: 6.43 m
  • Peso vazio: 9,485 kg
  • Peso máximo de decolagem: 16,066 kg
  • Propulsão: 2 × Pratt & Whitney R-1830-92 Twin Wasp 14-cilindros radial 1.200 hp cada
  • Hélice: Tripá, passo controlado
  • Velocidade máxima: 315 km/h, 170 nós
  • Cruzeiro: 201 km/h, 109 nós
  • Autonomia: 4.060 km, 2,190 milhas náuticas
  • Teto de serviço: 15.800 ft (4.800 m)

Armamento

  • 3 metralhadoras calibre .30 (7.62 mm), duas no nariz e uma na cauda
  • 2 metralhadoras calibre .50 (12.7 mm), uma em cada lateral da fuselagem
  • Bombas: 4,000 lb (1,814 kg) de bombas ou cargas de profundidade; suportes para torpedos também disponível
4.051 PBYs  de todas as versões foram produzidos entre junho de 1937 e maio de 1945 para a Marinha, Forças Aéreas do Exército e Guarda Costeira dos Estados Unidos, nações aliadas e clientes civis.

85 anos depois o primeiro voo, há ainda muitos PBY Catalinas operando no mundo civil, especialmente como avião tanque no combate aéreo a incêndios.

Catalina transformado para combate a incêndios


Excelente vídeo mostrando o Consolidated Aircraft PBY-5A, matrícula G-PBYA, muito bem restaurado e mantido em condições de voo na Inglaterra: