domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cerveja e motociclismo combinam? Acho que não!


Será que uma cervejaria artesanal com o nome Harley-Davidson é uma boa estratégia de marketing?

Ainda que a adoção da marca em produtos diversos seja uma excelente maneira de aumentar a receita de uma empresa, por expandir seus negócios em outros mercados, normalmente esta estratégia funciona melhor dentro do núcleo dos consumidores da marca.

A parceria da Harley-Davidson com a Ford, na produção de uma linha limitada de camionetes F-150, foi uma decisão inteligente de duas icônicas marcas americanas que se complementaram no projeto. Produzidas como edição limitada de 2000 até 2013, estes veículos se tornaram objeto de desejo de colecionadores, incluindo o apresentador Jay Leno, que recentemente leiloou sua F-150 Harley-Davidson 2000, num evento de caridade patrocinado pela Ford Motor Company.

Jay Leno e sua Ford F-150 Harley-Davidson
Sem dúvida a Motor Company está buscando caminhos para aumentar suas vendas.
  
2015 foi um ano em que a receita bruta da empresa teve uma queda de 4,5%, grande parte disto em função da valorização do dólar perante outras moedas. A verdade é que não foi só a HDMC que sofreu com a queda nas vendas. O mercado de motocicletas nos EUA encolheu 5,9% durante o ano passado. Buscar outras fontes de receita é o caminho correto para abrandar as perdas de volume.

Um dos caminhos adotados pela Harley-Davidson desde a década de 1950 e copiado por muitas outras marcas, é a produção de roupas e calçados com a marca da empresa. A H-D vende cerca de 300 milhões de dólares anualmente em mercadorias e vestimenta e este segmento viu um crescimento expressivo em 2015, apesar dos problemas de câmbio da moeda.

E a recém-lançada linha de jeans da HDMC deve aumentar suas vendas de MotorClothes ainda mais.

A verdade é que motociclistas se identificam muito com a marca Harley-Davidson, de jaquetas e bandanas até camisas e luvas com o “bar-and-shield”  gravado ou estampado neles.


Afinal, qual outra marca de veículo alguém vai querer tatuada permanentemente em seu corpo?


Mas daí a fazer uma associação direta entre pilotagem e bebida alcóolica, vai um oceano de distância, em minha opinião.

Recentemente a Polaris Industries lançou uma edição limitada de motocicletas Indian pintadas em homenagem aos 100 de existência da primeira destilaria Jack Daniel’s (e a primeira dos EUA) a receber uma licença oficial.


Mas será que uma cervejaria artesanal ao lado de uma revenda Harley-Davidson, sob a mesma gerência, não seria um passo longo demais?

De acordo com a Associação dos Cervejeiros dos EUA, que representa as cervejarias não industrializadas, há mais de 4100 cervejarias artesanais em operação nos Estados Unidos. Estas cervejarias independentes são responsáveis por 11% do volume produzido nos EUA e 19% do mercado varejista de cervejas.

Uma empresa apostando neste mercado faz sentido. A Harley-Davidson fazendo isto, não faz.

Segundo o que eu li, a Motor Company comprou um galpão de 10.000 m² na cidade de Farmington Hills, Michigan, onde antes era uma loja do Sam’s Club, com a ideia de abrir uma concessionária que vai englobar as duas atividades: motocicletas e cervejaria.

No conceito divulgado, o espaço será ocupado pela revenda em dois terços e o resto abrigará a cervejaria e um pub, um mercado gourmet e até mesmo um pequeno cinema. Ainda que a HDMC não pareça que será a responsável por gerir a cervejaria e o pub, a associação entre consumir bebida alcoólica e pilotar uma motocicleta não parece ser a melhor combinação, para a montadora líder do maior mercado de motocicletas do mundo.

Não parece que a Harley pretenda abrir outras lojas com este formato. 

Não me entendam mal. Gosto de uma cerveja nos dias quentes, aprecio um bom vinho e sou um fã do Jack Daniel's (na realidade estou apreciando um Jack com gelo e água de côco, enquanto escrevo esta postagem. Cheers!).

Mas, em minha opinião, não condiz com a mensagem de pilotagem com segurança que a Harley-Davidson Motor Company sempre transmitiu ao mundo.

Lembre-se: se for rodar, não beba!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A lenda sendo imitada. Mais uma vez . . .


É impressionante. Marcas propagam em suas campanhas de marketing que são as mais antigas ou que tem a melhor tecnologia embarcada ou ainda que são mais amigáveis com seus clientes.

Mas todas, sem exceção, procuram imitar a líder inconteste do mercado mundial de motocicletas acima de 650 cilindradas.

Agora é a vez da Indian Motorcycles tentar chegar mais perto da Harley-Davidson.

A marca, que não é de forma alguma a mais antiga dos Estados Unidos - ainda que tenha sido, na sua forma original, até que faliu em 1953 - criou o HOG Indian.

Isto mesmo, uma cópia "xerox" do Harley Owners Group. 33 anos depois!

A Indian Motorcycles anunciou hoje, na Índia, a criação do Indian Motorcycle Riders Group (IMRG), para seus clientes. A proposta é unificar os motociclistas e entusiastas da marca Indian Motorcycles, na sua mais nova versão.

Cada membro do IMRG receberá um cartão identificador, uma bolacha para costurar na jaqueta e um pino. Muito criativo!

Os membros do IMRG, terão desconto no seguro das mototocicletas, feitos através da montadora. E serão convidados especiais nos eventos e rallies!

Terão, também, descontos especiais em roupas e acessórios nos revendedores que participarem do programa.

Quem se unir ao programa receberá 10.000 pontos. Mais pontos serão adicionados com a participação em eventos oficiais. Cada ponto valerá uma rúpia (moeda indiana, equivalente a 1 centavo de dólar ou 4 centavos de Real) e poderá ser usado como desconto em compras nas revendas.

Como no HOG, haverá duas categorias: para os proprietários de motocicletas Indian e outro para os familiares.

Quem não for proprietário de uma motocicleta Indian, também poderá participar dos eventos do IMRG, porém pagando um "pedágio".

O anúncio foi feito por Pankaj Dubey, Diretor-Gerente da Polaris India Pvt Ltd.

Não se sabe se este HOG genérico será expandido para outros países.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Vivemos numa democracia? Acho que não!


Leio nos jornais de hoje:

STF permite Receita obter dados bancários sem decisão da Justiça

"Por 9 votos a 2, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira (24) que é constitucional a legislação que permite à Receita Federal acessar dados bancários sigilosos de pessoas físicas e jurídicas sem autorização judicial.

Desde 2001, uma lei complementar autoriza que a Receita obtenha diretamente junto aos bancos e sem autorização judicial, informações sobre a movimentação financeira de pessoas ou empresas.

Foi a partir desta norma que a Receita aumentou o controle sobre as movimentações financeiras, passando - a partir deste ano - a receber informações sobre qualquer transação mensal acima de R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 6 mil para empresas.

A maioria dos ministros entendeu que o fato de os dados serem analisados pela Receita representa uma transferência de sigilo bancário e não uma quebra de dados.

A medida, dizem os ministros, não fere o princípio constitucional da privacidade, sendo que deve prevalecer o interesse público, e ainda auxilia no combate a crimes, como corrupção, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro."

Os Ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello votaram contra a permissão à Receita.

Para Celso de Mello, a medida pode abrir brecha para devassa nos dados sigilosos por outros órgãos.

Disse ele: "Nós sabemos que um simples extrato bancário é uma fonte incomensurável de revelações, que podem muitas vezes afetar a privacidade e muitas vezes a intimidade das pessoas. Não se pode ignorar que o direito à privacidade representa importante manifestação dos direitos da personalidade, qualifica-se como expressiva prerrogativa de ordem jurídica que consiste em reconhecer em favor da pessoa a existência de um espaço indevassável destinado a protegê-la contra indevidas interferências ou intrusões do Estado, como de qualquer outro particular também, na esfera de sua vida privada."

Mas foram votos vencidos. 

Isto me lembra uma conversa que tive com um conhecido, que foi Delegado da Receita Federal, antes de se aposentar. 
Perguntei à ele por que a Receita Federal não investigava os políticos que eram denunciados por enriquecimento ilícito ou que apresentavam patrimônio incompatível com seus rendimentos (a grande maioria, por sinal!). Ele respondeu que a Receita Federal não poderia iniciar uma investigação sem ordem judicial. Uma ova!

Pelo o que entendi, a Receita Federal já fazia isto há muito tempo! Na realidade, desde 2001. Só que alguém contestou e o caso foi parar no Supremo. E Suas Excelências, que são rápidos em despunir condenados por corrupção (veja o caso do mensalão, já com quase todo mundo livre, leve e solto!), confirmaram a legalidade da Receita em esmiuçar a nossa vida.

Segundo a reportagem  "oresultado do julgamento agrada ao governo, que atuou para manter a regra. O secretário da Receita, Jorge Rachid, chegou a procurar pessoalmente os ministros para tratar do assunto e ainda teria alertado que anular a autorização dessa fiscalização poderia prejudicar Operações da Polícia Federal, como a Lava Jato, que apura o esquema de corrupção da Petrobras, e da Zelotes, que investiga esquema de compra de medidas provisórias."

Não compro esta conversa. Todos os sigilos quebrados nas diversas fases da Operação Lava Jato foram autorizados pelo Juiz Sergio Moro. Portanto, por ordem judicial.

Mas, o que se pode fazer? Somos só camponeses neste imenso feudo.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Manutenção na concessionária: é confiável?


Um amigo virtual tem falado comigo desde o início de janeiro sobre um problema na sua motocicleta, uma Harley-Davidson Heritage Softail com 13.000km rodados, revisões feitas na concessionária e ainda dentro da garantia.

No final de 2015, depois de uma viagem longa, ele começou a escutar um barulho na motocicleta que parecia vir da parte dianteira.

Levou a motocicleta na concessionária, pedindo que fosse verificado e sanado o problema. Os mecânicos checaram rolamento e discos de freio, sem encontrar a fonte do barulho.

Depois de inúmeras idas à concessionária e de ter escutado pérolas como "Harley faz barulho, mesmo," e "melhor colocar um escape esportivo, daí você não escuta o barulho,"o meu amigo levou a motocicleta a um mecânico independente.

O mecânico deu uma volta com a motocicleta no quarteirão, voltou e foi verificar a correia dentada, que transmite a força do cambio para a roda traseira. Estava muito esticada. Regulou a tensão e o barulho desapareceu.


Checar a tensão da correia dentada (ou da corrente, se for o caso) é um item de rotina em qualquer motocicleta que não seja equipada com cardã.

Não ser capaz de identificar um problema tão simples coloca em dúvida a competência técnica dos mecânicos da concessionária.

É assustador, para quem investe dezenas de milhares de Reais na compra de uma Harley-Davidson e é pressionado a fazer as revisões nas concessionárias da marca.

Mais um ponto negativo para o pós-venda da Harley-Davidson no Brasil.

O vídeo a seguir mostra como fazer a verificação da tensão e o ajuste da correia dentada, se você quiser fazer em casa.

video

Nota: não mencionei o nome da concessionária por não ter evidências das observações feitas pelos mecânicos e relatadas aqui.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Produção de motocicletas tem recuo de 37,7% em Janeiro


Segundo dados divulgados ontem pela ABRACICLO, foram produzidas 75.959 motocicletas em janeiro, ante 122.063 unidades no mesmo mês de 2015, uma acentuada queda de 37,7%.

Vendas no varejo têm queda de 27% em comparação com dezembro de 2015.

As vendas no atacado (embarques diretos das montadoras para suas concessionárias) tiveram queda ainda mais acentuada: 53.5% menor. Foram enviadas às revendas 48.468 motocicletas, contra 104.218 embarques em janeiro de 2015.

Analisando os números das montadoras do chamado "segmento premium", o resultado de janeiro foi similar ao do total da indústria, com queda de 52,8%.


O destaque fica por conta da marca Triumph, a única a apresentar crescimento no início do que parece será um dos piores anos da história da economia brasileira.

Triumph Boneville T100 2016
A marca Triumph vem sendo mencionada cada vez mais nos círculos harleyros do Paraná e de Santa Catarina, ultimamente.

Ontem, em um evento na Florida H-D, vários motociclistas mencionaram que estão considerando a Triumph como a marca de sua próxima compra.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Dia dos Presidentes


Hoje se comemora nos EUA o Dia dos Presidentes, um dos mais importantes feriados do país (ao lado do Dia do Trabalho, Dia da Lembrança e Dia de Ação de Graças).

A data é em homenagem ao nascimento de George Washington (22/2/1732), Comandante-em-Chefe do Exército Continental (depois Exército dos EUA) na Guerra da Independência americana e primeiro presidente dos Estados Unidos da América.


O feriado, comemorado na terceira segunda-feira de fevereiro, foi criado por ato do Congresso em 1879 e é chamado de Dia dos Presidentes deliberadamente, para homenagear todos os presidentes americanos.

George Washington é um dos "Pais Fundadores"(Founding Fathers, em inglês) da maior economia do mundo, maior e mais longeva democracia do planeta, juntamente com John Adams, Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton, James Monroe e Benjamin Franklin.  Estes homens, juntos com outros patriotas estruturaram a democracia americana e deixaram um legado que transformou o mundo desde então. 

Os EUA são a única verdadeira república federativa existente no mundo, tendo a mais antiga constituição democrática em vigor (promulgada em 17 de setembro de 1787).

A Constituição foi escrita e adotada para proteger os cidadãos da jovem nação, contra os abusos de seus governantes, o que era bastante comum no mundo, no século 18.

Uma das citações mais lembradas de George Washington diz o seguinte:
"Um povo livre deve não somente estar armado e ser disciplinado, mas deve ter armas e munição suficientes para manter sua independência de qualquer tentativa de abuso, inclusive de seu próprio governo."

Pois é . . . 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Querido Brasil . . .


Querido Brasil,

O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.

Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos 4 últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.

Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.

Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”

No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.

Então aí vai: é você.

Você é o problema.

Sim, você mesmo que está lendo esse texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.

Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.

O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.

O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.

Quer um exemplo?

Imagine que você está de carona no carro de um amigo tarde da noite. Vocês passam por uma rua escura e totalmente vazia. O papo está bom e ele não está prestando muita atenção quando, de repente, ele arranca o retrovisor de um carro super caro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora.

No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho que você mal conhece dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e ele amanheceu sem o retrovisor. Pela descrição, você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz?

A) Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger seu amigo? Ou
B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?

Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A. Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B.

Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.

Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.

Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.

Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.

É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.

Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.

Algumas semanas atrás, eu e minha noiva viajamos para um famoso vilarejo no nordeste. Chegando lá, as praias não eram bonitas como imaginávamos e ainda estavam sujas. Um dos pontos turísticos mais famosos era uma pedra que de perto não tinha nada demais. Foi decepcionante.

Quando contamos para as pessoas sobre a nossa percepção, algumas delas imediatamente disseram: “Ah, pelo menos você pode ver e tirar algumas fotos nos pontos turísticos, né?”

Parece uma frase inocente, mas ela ilustra bem essa questão da vaidade: as pessoas por aqui estão muito mais preocupadas com as aparências do que com quem eles realmente são.

É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.

Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de Reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.

Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide: Carnaval).

O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.

Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.

Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.

E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.

Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.

É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.

Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto-sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem àqueles que são independentes e bem resolvidos.

Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensina-la a ser responsável.

Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.

E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.

As vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.

Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.

Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).

Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.

E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.

E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.

Talvez você já saiba disso, mas se não sabe, eu vou ser aquele que vai te dizer: as coisas não vão melhorar nessa década.

O seu governo não vai conseguir pagar todas as dívidas que ele fez a não ser que mude toda a sua constituição. Os grandes negócios do país pegaram dinheiro demais emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.

O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. Sua população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.

Você está ferrado. Você pode tirar a Dilma de lá, ou todo o PT. Pode (e deveria) refazer a constituição, mas não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora você vai ter que viver com isso por um tempo.

Se prepare para, no mínimo, 5-10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando que fosse conquistar, não vai mais estar disponível. Se você é um adulto nos seus 30 ou 40, os melhores anos da economia já fazem parte do seu passado. Se você tem mais de 50, bem, você já viu esse filme antes, não viu?

É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.

O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.

Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.

Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.

Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.

Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.

Seu amigo,

Mark

Veja o original da carta, em inglês, aqui.

Traduzido por Fernanda Neute

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Senta, que o leão é manso!


A marca registrada dos estúdios MGM (Metro-Goldwin-Mayer) é a figura do leão Leo rosnando, no início dos filmes. Na verdade, “Leo” não foi só um; sete leões from utilizados pela produtora de Hollywood, desde 1917. 

Tudo começou com o leão “Stats”, que apareceu nos filmes da MGM entre 1917 e 1928. A partir de 1957 até hoje, o que vemos é um leão que realmente se chamava “Leo”.

A primeira vinheta utilizada pela MGM, ainda em filmes mudos.
O leão chamado “Jackie”, nascido em 1925, foi o segundo a ser usado pela MGM e o primeiro a rosnar audivelmente. O rosnar foi gravado separadamente e incluído no filme. O produto final foi incluído no primeiro filme sonoro do estúdio, lançado em 1928: “White Shadows in the South Seas.”

Um cameraman e um técnico de áudio gravando a primeira versão sonora
 da vinheta, em 1928.
O rosnar de Jackie apareceu no famoso e premiado filme “O mágico de Oz”, de 1939, numa versão envelhecida. Além de fazer a abertura dos filmes, ele também participou em  mais de 100 filmes do estúdio, incluindo os filmes de Tarzan, entre outros.

Para aumentar ainda a presença da marca MGM, o estúdio fez uma turnê aérea com o leão através dos EUA. O avião era um Ryan Brougham, similar ao “Spirit of St Louis”,  usado por Charles Lindenberg para cruzar o Atlântico pela primeira vez. Foi construída uma jaula na fuselagem e o avião foi equipado com tanques para leite, água e combustível extra.


O avião decolou de San Diego, na Califórnia, em direção a New York, mas depois de cinco horas de vôo caiu no deserto do Arizona. O piloto, Martin Jenson, deixou Jackie no avião com bastante leite, água e sanduíches e saiu para procurar socorro. Quatro dias depois o piloto foi encontrado e levado a um telefone. Ao ligar para a MGM e informar que estava bem, escutou do outro lado da linha: “Como está o leão?”!

Socorristas chegam aos destroços do avião, no deserto do Arizona
Jackie sendo levado para casa, são e salvo.
Jackie foi recuperado sem um arranhão e recebeu o apelido de “Leo sortudo.” Ele foi aposentado em 1931 e levado para o Zoológico de Philadelphia, onde faleceu em 1935 por problemas cardíacos. A sua imagem foi a principal usada pela MGM até 1957.

Outros quatro leões foram usados para filmagens específicas entre 1932 e 1957. Naquele ano foi lançada a cena com o leão “Leo”, que é usada pelo estúdio até os dias de hoje. Leo nasceu no Zoológico Burgers, na Holanda. Era o animal mais jovem a ser filmado para a vinheta.

Treinado por Ralph Helfer, Leo participou de filmes famosos nas décadas de 1960 e 1970.
Duas versões diferentes foram usadas nas vinhetas: uma, mais longa, onde Leo rosna três vezes (usada entre 1957 e 1960) e a versão “padrão” com Leo rosnando duas vezes, usada de 1960 até hoje.

Este vídeo conta a história de todos os leões que participaram da abertura dos filmes da Metro-Goldwin-Mayer:

video


E, sim, o leão da Metro era bem manso. Mas por razões distintas da mencionada na piada do “Senta, que o leão é manso!”

Esta imagem que circulou pela Internet, sugerindo a forma como as vinhetas eram filmadas, é falsa.

Imagem falsa sobre a forma como foi filmada a vinheta da MGM.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Parabéns pra você! Pode cantar sem medo.


O mundo está prestes a poder cantar a famosa música de aniversário sem receio de ser processado, já a partir de março de 2016.

Numa decisão publicada nesta segunda-feira, a Warner/Chappel concordou em pagar US$14 milhões para encerrar um processo jurídico que questionou o direito autoral sobre a música “Parabéns pra você” no seu original em inglês.

“Happy birthday to you” é talvez uma das mais populares canções do mundo. A música e sua letra envolvem disputas judiciais desde o século 19.

A Warner/Chappel comprou os direitos da música em 1988 por US$22 milhões e tem recebido em média US$2 milhões por ano em direitos autorais, especialmente de produtores de filmes e de televisão.

Mas um juiz federal dos EUA decidiu que a Warner/Chappel não tem o direito autoral sobre a letra da música mas tão somente sobre alguns arranjos musicais.

Marylin Monroe cantando "Happy birthday to you" para o
presidente John Kennedy em maio de 1962.
O processo todo começou quando Jennifer Nelson, uma cineasta americana, decidiu fazer um documentário sobre a famosa música. Para sua surpresa, ela descobriu que teria que pagar US$1.500 para usar a música no seu documentário.

“Foi revelado a lado escuro da canção, tão familiar para as famílias e que gerações cresceram cantando-a nas festas de aniversário. Mas ninguém sabia que a canção tinha dono,” afirmou a cineasta. “O fato de que este pseudo direito autoral é ilegal e foi usado indevidamente pela Warner/Chappell realmente deixou muita gente furiosa. Agora conseguimos retificar este assunto e terminar com esta extorsão.”

O juiz federal encarregado do caso deverá aprovar o acordo na próxima audiência, marcada para o dia 16 de março.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Orange County Choppers: imóvel à venda


Procurando um imóvel para investir no Vale do Rio Hudson, no estado de New York?

Você pode considerar está prédio de 40.000 m² perto da rodovia e a apenas 96 km da cidade de New York. O problema? O imóvel vem com um inquilino, nada menos que Paul Teutul Sr. e sua Orange County Choppers.

O edifício da OCC, localizada na 14 Crossroads Court em Newburgh, NY, estará à venda num leilão que acontecerá entre o dia 7 e 9 de março, no site www.auction.com.

O prédio foi construído em 2008 por 12 milhões de dólares, quando a OCC estava no auge de seu sucesso, mas será leiloado com um lance mínimo inicial de apenas 900.000 dólares.

O vencedor do leilão terá que levar junto um inquilino – OCC – que recentemente renovou seu contrato de aluguel por 10 anos. A OCC perdeu o imóvel no final de 2011, depois de deixar de pagar as prestações da hipoteca sobre o empréstimo que tomou para construir o imóvel.

Neste prédio está sendo filmada a nova série do reality show “Orange County Choppers: American Made”, que irá ao ar no próximo dia 20 de fevereiro, no canal A&E dos Estados Unidos.

A OCC ocupa 64% do edifício. O segundo andar está vazio e poderá ser alugado a outras empresas.

Paul Teutul Sr continua sobrevivendo . . .

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Porte de CNH pode deixar de ser obrigatório


O porte da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo pode deixar de ser obrigatório, segundo o Projeto de Lei 8022/14, aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

De acordo com as autoras do projeto, a ex-deputada Sandra Rosado e a deputada Keiko Ota (PSB-SP), as autoridades de trânsito têm sistemas online, que permitem a verificação instantânea da situação do condutor e do veículo, mesmo que o motorista não esteja portando a CNH ou o documento do carro.


Ainda segundo o projeto de lei, em caso de impossibilidade de consulta ao banco de dados, a multa e a pontuação na carteira devem ser canceladas se o condutor apresentar em 30 dias a CNH e/ou o comprovante de pagamento do licenciamento.

Para ser aprovado na Comissão de Viação e Transportes, uma emenda foi adicionada ao projeto, tornando obrigatório o porte de outro documento legal de identificação do condutor. O texto ainda vai ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: O Estado de São Paulo

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Pista da esquerda: só para ultrapassagens


Pista da esquerda deve ser usada apenas para ultrapassagens.

Deixar de dar passagem pela esquerda é infração penalizada com multa.

Todo condutor pode transitar na faixa esquerda. Até aí, nenhuma novidade. Mas o que muitos não sabem é que ela deve ser usada apenas quando há intenção de se efetuar uma ultrapassagem. Feito isso, deve voltar para a pista da direita.

A faixa da esquerda é exclusiva para ultrapassagens. Se todos tivessem essa consciência, o trânsito seria mais disciplinado e menos hostil como é hoje. 


O artigo 30 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz que todo condutor, ao perceber que outro motorista que o segue tem o propósito de ultrapassá-lo, deverá, se estiver circulando pela faixa da esquerda, deslocar-se para a faixa da direita, sem acelerar a marcha. 
O parágrafo único complementa: os veículos mais lentos, quando em fila, deverão manter distância suficiente entre si para permitir que veículos que os ultrapassem possam se intercalar na fila com segurança.


De acordo com artigo 198, deixar de dar passagem pela esquerda, quando solicitada, é uma infração média, penalizada com multa. O artigo 219 completa: transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita, é infração média.

Em resumo, se um carro aproxima do seu e pede passagem, pode ser que ele seja um apressadinho, sim, que apenas quer chegar mais rápido ao seu destino. No entanto, não cabe ao motorista da frente decidir a velocidade que o outro deve trafegar, mesmo que esteja cometendo um excesso de velocidade. 

Isso deve ser considerado pelo simples fato de, quando um veículo pedir passagem, você não pode julgar se ele estará certo ou errado. Pode ser uma situação de emergência. O automóvel em alta velocidade pode estar deslocando algum ferido, uma gestante, enfim, alguém com necessidades urgentes. 


Pilote sempre com segurança e aproveite bem as estradas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Land Rover Defender 4x4 deixa de ser fabricado

O último Land Rover Defender produzido.
O último Land Rover Defender, o jipe 4x4 conhecido em todo o mundo que tem proprietários famosos como a rainha inglesa Elizabeth, saiu de produção nesta sexta-feira (29), 68 anos depois de começar a ser produzido.

Concebido originalmente para ser usado em fazendas e na agricultura, o jipe virou um ícone da indústria automobilística britânica e era popular entre celebridades como o músico Paul McCartney e o falecido ator Steve McQueen, tendo vendido 2 milhões de unidades desde 1948.

A montadora indiana Tata adquiriu as marcas britânicas Jaguar e Land Rover, ambas deficitárias, em 2008, e desde então modernizou e ampliou rapidamente a linha de luxo do Range Rover.

"Qualquer veículo convencional teria sido substituído muitas vezes durante o ciclo de vida do Defender", argumentou a porta-voz da Jaguar Land Rover.

"Agora temos a tecnologia, a engenharia pioneira e a excelência em design que precisamos para aprimorar o Defender".

São necessárias 56 horas para construir o carro, que é em grande parte feito à mão na fábrica da empresa em Solihull, no centro da Inglaterra, o que faz com que ele consuma mais tempo e fique mais caro do que muitos outros veículos com um grau maior de produção mecanizada.

Mas o automóvel offroad se tornou sinônimo da Grã-Bretanha graças a usuários como a monarca do país, que foi fotografada andando e acenando para o público na traseira do 4x4 ainda em 1957 em Hyde Park e durante uma visita a Melbourne em 1977.

A impossibilidade de adaptar o modelo aos novos parâmetros de segurança e de emissões de poluentes acabou com a produção do Defender, disponível em vários modelos.

"É a morte de um ícone", afirmou à BBC Simon Collins, do Clube Land Rover, uma associação de fãs da marca.
(Folha de São Paulo, 29/1/2016)

Aprendi a dirigir no início dos anos 1960 em um Land Rover Series I 1954 SWB (Short Wheel Base), equipado com motor a gasolina de 1,6 litros, quatro marchas a frente, reduzidas, e tração nas 4 rodas. Dava a impressão de que fosse capaz de subir um muro!

Land Rover Series I SWB
Meu pai substituiu a cobertura de lona por uma de chapa de aço, que ele mesmo construiu.

Eu adorava dirigir aquele jipe pelas ruas e estradas de Três Rios, RJ, onde morávamos na época.

Meu pai vendeu o Land Rover em 1965, quando adquiriu uma Rural Willys branca e azul, como esta da foto: