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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

FêNêMê - Uma história de fim de ano

 

FNM D-11000 1958 - 150 HP
A FNM (Fábrica Nacional de Motores), mais conhecida como Fenemê, foi a primeira fábrica de caminhões do Brasil, criada pelo Governo Federal em 1942 com o objetivo de produzir motores de avião e ajudar no esforço de combate durante a Segunda Guerra Mundial. A linha de montagem foi construída em Xerém, distrito de Duque de Caxias, RJ.

Em 1946, o governo suspendeu a construção de motores no Brasil, direcionando a fábrica para a produção de peças para máquinas industriais e eletrodomésticos, como geladeiras, bicicletas, compressores, etc.

Em 1949 a FNM firmou um acordo com a italiana Isotta-Fraschinni para produzir seus veículos em território nacional. Nascia, aí, o FNM D-7300, o primeiro caminhão fabricado no Brasil.

FNM D-7300 - Motor diesel 6 cilindros e 100 HP


Na década de 1950 eu morava em Santos Dumont, MG e a estrada que ligava o Rio de Janeiro a Belo Horizonte passava por dentro da cidade, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, onde tínhamos a nossa casa.

Com o início da construção de Brasília, o tráfego de veículos pesados aumentou consideravelmente na cidade.

A estrada, sem pavimentação fora da cidade, era a continuação da Estrada União e Indústria, construída em 1861 pelo empresário Mariano Procópio Ferreira Lage, que obteve a concessão do Imperador Pedro II para fazer a ligação entre Petrópolis e Juiz de Fora. Os 3 km que percorriam a cidade eram pavimentados com paralelepípedos e necessitavam de manutenção constante da prefeitura, pelo excesso de peso dos caminhões que transportavam os materiais para a construção da nova capital federal.

Uma atração adicional era a passagem de cargas com excesso de altura, que requeriam a retirada de fios elétricos e telefônicos. A cidade tinha uma rede de 999 telefones. O número da minha casa era 255 e do trabalho do meu pai era 257. Os telefones eram de manivela e as telefonistas nos davam informações adicionais, como a hora certa e a previsão de retorno da energia elétrica, nos casos de interrupção. Não havia necessidade de dizer o número do telefone desejado, pois as operadoras conheciam todos pelo nome.

Eu e meus amigos tínhamos o hábito de ficar sentado na calçada, em frente à minha casa, contando os caminhões que passavam. Lembro-me bem das marcas Mack Diesel e Leyland, além dos FêNêMês -  os mais pesados - seguidos dos caminhões Ford e Chevrolet, mais leves. Havia ainda os Scania e Mercedes-Benz, mas em pouco número, naquela época.

Em 1957 começou a retificação do trecho entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, com a rodovia sendo denominada BR-3. Com as obras, foi construído um contorno que retirou o trânsito pesado do centro de Santos Dumont.

A Fenemê não ficou apenas nos caminhões. No dia 21 de abril de 1960, data da inauguração de Brasília, foi lançado o FNM 2000 modelo JK, um sedã de luxo baseado no Alfa Romeo 2000. Era o carro mais caro do Brasil naquela época e foi muito utilizado pelo próprio Presidente Juscelino Kubitschek.

FNM 2000 modelo JK
Em 1968 a empresa foi privatizada e vendida para a Alfa Romeo (comprada pela FIAT em 1977). A fábrica foi desativada em 1979.

O fim do ano marcava o final das temperaturas frias em Santos Dumont e o início das férias de verão, numa época que o Brasil ainda era um país que tinha futuro.

domingo, 6 de novembro de 2022

Aeromodelismo: minha história no hobby - parte 3


Sem a menor dúvida, a UFA-União Fluminense de Aeromodelismo, de Niterói-RJ, foi o clube mais impactante na minha vida neste hobby fabuloso.

Explico: quando iniciei no aeromodelismo em 1954, eu morava em Santos Dumont-MG e não havia nenhum aeromodelista na cidade (uma vergonha, eu acho, considerando ter sido o berço do inventor do avião!). Foi muito difícil aprender a construir os aeromodelos que eu fazia na época, propulsados por elástico.

Quando nos mudamos para Três Rios-RJ em 1959, conheci o Narciso Costa Mattos, o Pojuca, que era um exímio construtor e habilidoso piloto de acrobacia VCC. O Pojuca era 16 anos mais velho do que eu mas me "adotou" no hobby. Além de me ajudar muito com seus ensinamentos, também me levou para conhecer a ACA-Associação Carioca de Aeromodelismo, que tinha sua sede no extinto Aeroclube de Manguinhos, no Rio de Janeiro (a área hoje é a favela da Maré).

Vista aérea do Aeroclube de Manguinhos.
Atrás dos hangares, a pista de VCC da ACA

Várias vezes fomos voar na ACA, numa viagem de 3 horas cada pernada, que ele me levava de carona no seu Fusca. Várias outras vezes fui de ônibus da Viação Salutaris!

Como eu gostava de competir, o Pojuca patrocinou minha entrada para o quadro de associados da ACA e minha inscrição na recém fundada ABA-Associação Brasileira de Aeromodelismo (hoje transformada em COBRA-Confederação Brasileira de Aeromodelismo).

Em Três Rios, praticávamos os vôos no campo do Entrerriense Futebol Clube.

O Pojuca é o primeiro à esquerda, nesta foto de 1989 na UFA.
Os demais são Marcus Roque, eu, Emílio Celso e Arno Vath.
Em 1964 entrei para a Marinha e o aeromodelismo ficou limitado aos períodos de férias da Escola (duas semanas em julho e 30 dias no verão).

Desde a minha formatura em 1966 até 1972 eu servi embarcado e não sobrava tempo para o aeromodelismo. Montei muitos kits plásticos da Revell durante as longas travessias oceânicas, mas as férias eram dedicadas à família.

Durante o tempo que trabalhei como Instrutor na Escola (1972-1973) também não sobrava muito tempo, pois à noite cursei Administração de Empresas na FEMAR-Fundação de Estudos do Mar e na PUC-RJ.

O retorno ao aeromodelismo só se deu a partir de 1975, quando meu trabalho me permitia ficar mais tempo em terra. Comecei, então a frequentar as pistas de vôo circular no Aterro do Flamengo e na ACA. 


A partir de 1977, com a ajuda inestimável do meu amigo e colega de Marinha, Isaac Gonçalves - que me instruiu na pilotagem R/C - comecei a voar aeromodelos rádio-controlados.

Eu ainda passava muito tempo em viagens internacionais, mas o tempo fora do Brasil era mais intercalado com trabalho na região do Rio de Janeiro e conseguia conciliar o trabalho com a volta ao hobby.

Voávamos na ACA, na ocasião localizada ao lado do Autódromo, em Jacarepaguá. 

Morando em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, era uma viagem de 01:30 hora para cobrir os 54 km de cada pernada. Saímos bem cedo, eu e meu filho Marcus (que começou a pilotar também em 1977, com nove anos), por volta das 06:00 e retornávamos no início da noite. Mas valia cada quilômetro rodado.

Em 1980 descobri que havia uma grupo de aeromodelistas em Niterói e fui procurá-los. Foi quando entrei para a UFA.

O Clube era pequeno e tinha uma pista de terra de apenas 100 m de comprimento no distrito de Itaipuaçu. Era uma área destinada a um clube desportivo, para cumprir a legislação por ocasião do loteamento implantado.

Sabíamos que a nossa permanência lá estava limitada ao crescimento das construções residenciais ao redor. Mas era nossa única oportunidade. Era um grupo dedicado e bem focado na construção de aeromodelos e na participação em competições, principalmente acrobacia F3A e escala F4C.

Inauguração do asfaltamento da pista da UFA em 1984.
Eu estou na centro da foto, cortando a fita.
A grande maioria dos associados da UFA competia nestas modalidades. Participávamos de eventos de grande porte (Campeonatos Brasileiros e Sul-americanos) e também nos regionais (Campeonatos paulista, mineiro, carioca e Copa Norte-Nordeste), além dos eventos realizados no nosso próprio clube e em clubes com quem tínhamos muita afinidade, como a UAP - União de Aeromodelismo Pedroleopoldense, de Pedro Leopoldo, MG, ACA-Associação Carioca de Aeromodelismo e UBA-União Bandeirante de Aeromodelismo, de SP.













Já avançávamos para a construção e voo de aeromodelos de grande porte (Giant Scale), assim considerados aqueles que tivessem sua escala de construção equivalente a 25% do tamanho da aeronave protótipo. O motor que liderava este segmento era o Quadra 35 (35 cilindradas) a gasolina. Logo vieram os Zenoah G-38 e G-23 que proporcionaram um grande desenvolvimento, por serem mais compactos, mais leves e mais potentes que os Quadras.

A UFA embarcou no movimento "Big is Better" em grande estilo, tornando-se o Chapter 345 da IMAA-Internacional Miniature Aircraft Association, o primeiro na América Latina. Já em 1990 a UFA sediava o primeiro Encontro Brasileiro de Aeromodelos Gigantes.


Para este evento, tivemos a presença do saudoso amigo Frank Ponteri, que na ocasião (e por muitos anos) era o presidente mundial da IMAA.

Frank Ponteri e eu, com meu Byron Ryan STA

O Ryan PT-22 STA era um kit da Byron Originals,
equipado com um SuperTigre 3000, de 30cc

Como dirigente da UFA fui responsável pela organização de dois Campeonatos Brasileiros: 1989 (com o apoio da ACA e CMVM) e 1994, realizado integralmente na Base Aeronaval de São Pedro D'Aldeia, RJ.

Um fato bastante interessante sobre o Campeonato Brasileiro de 1994: com as frequências de radio monitoradas pela Torre de Controle da Base Aeronaval, conseguimos realizar provas de F4C, F3A e Helicópteros, simultaneamente! Foi muito bacana ver os Oficiais, Sub-oficiais e Sargentos controladores aéreos, fazendo seu trabalho com aeromodelos, no lugar de aeronaves militares.

Em dezembro de 1995 fui transferido para o exterior, onde trabalhei por 10 anos. Mas continuo fazendo parte da UFA até hoje, na condição de sócio-remido desde 1984. 

O clube está desativado desde 2017, por não ter um local para a prática do aeromodelismo. A maioria dos seus associados migrou para outros clubes da região.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Esquadrilha da Fumaça: aeronaves e bolachas nos 70 anos de existência

Embraer EMB-314 Super Tucano
O Esquadrão de Demonstração Aérea, também conhecido como “Esquadrilha da Fumaça”, é responsável pela divulgação da Força Aérea Brasileira (FAB) em território nacional e internacional. Sua sede se localiza na Academia da Força Aérea (AFA), na cidade de Pirassununga.

A Esquadrilha da Fumaça originou-se em 1952 pela iniciativa de jovens instrutores de voo da antiga Escola de Aeronáutica, sediada na cidade do Rio de Janeiro. Em suas horas de folga, os pilotos treinavam acrobacias em grupo, com o intuito de incentivar os cadetes a confiarem em suas aptidões e na segurança das aeronaves utilizadas na instrução, motivando-os para a pilotagem militar. Fez sua primeira apresentação pública no dia 14/5/1952.

Seu primeiro comandante (1952-1953) foi o então Tenente-Aviador Mario Sobrinho Domenech. O Coronel-Aviador Domenech, já na reserva, foi presidente da ACA - Associação Carioca de Aeromodelismo (o mais antigo clube de aeromodelismo do Brasil, fundado em 1949), de 1986 a 1991.

Ao longo de sua existência a Esquadrilha da Fumaça operou as seguintes aeronaves e ostentou as cores e os brasões abaixo:


sábado, 6 de agosto de 2022

Visita aos Clubes AMA-UFRJ e ACA no Rio de Janeiro


Estava passando uns dias na casa do meu filho, em Niterói, e no domingo, 31 de julho, visitamos os clubes AMA-UFRJ (Associação de Modelismo dos Amigos da UFRJ) e ACA (Associação Carioca de Aeromodelismo.

Algumas fotos na AMA-UFRJ. O Clube fica situado em uma área cedida pela Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão.


Amigos de longa data, Fernando e Florin.



As instalações da AMA-UFRJ são excelentes


Com novos amigos
Ficamos na AMA-UFRJ pela manhã e almoçamos lá. Uma comida caseira deliciosa!
Obrigado aos amigos da AMA-UFRJ pela hospitalidade

Em seguida fomos para a Base Aérea dos Afonsos, Museu Aeroespacial, onde fica instalada a ACA.


Com os amigos Isaac Gonçalves e 
Maurício Guimarães
O Isaac, com a ajuda do Maurício, está concluindo a montagem de um Yak 54 na escala 56%. O aeromodelo é equipado com um motor ZDZ de 4 cilindros e 500 cc, com partida elétrica.








Aproveitamos e visitamos o recém reaberto Museu Aeroespacial.














Com meus netos Kiko e Max, junto ao F-39 Gripen.














Meus netos e minha querida nora Cláudia Roque







As fotos foram feitas pelo meu filho Marcus Roque.