segunda-feira, 27 de julho de 2015

Fortaleza de Santa Cruz - Vale a pena visitar

Fortaleza de Santa Cruz - Niterói, RJ
A Fortaleza de Santa Cruz da Barra localiza-se no lado oriental da barra da baía de Guanabara, no bairro de Jurujuba, município de Niterói, RJ.

Com arquitetura imponente e cruzando fogo com a Fortaleza de São João e com o Forte Tamandaré da Laje, a Fortaleza de Santa Cruz foi a principal estrutura defensiva da Baía de Guanabara e do porto do Rio de Janeiro. Hoje é o segundo ponto turístico mais visitado de Niterói, atraindo turistas e pesquisadores em busca de lazer e de história.

A Fortaleza de Santa Cruz com a Fortaleza de São João do outro lado
da barra da Baía de Guanabara.
Encontra-se guarnecida até hoje, atraindo uma média de 3.500 visitantes por mês, em visitas guiadas com a duração de cerca de 45 minutos. 

Alguns autores repetem, incorretamente, que a primitiva ocupação de seu sítio remonta a uma defesa improvisada por Nicolas Durand de Villegagnon à entrada da barra (1555), artilhada com duas peças e ocupada por forças portuguesas no contexto da campanha de 1565-1567. Na realidade esta narrativa se aplica à tentativa de instalação de uma bateria na Ilha da Laje, fortificada pelos portugueses muito mais tarde.



A posição onde está construída a Fortaleza de Santa Cruz foi efetivamente ocupada pelos portugueses a partir de 1584, na segunda gestão de Salvador Correia de Sá, enquanto governador da Capitania Real do Rio de Janeiro (1577-1599).

Em 1599, essa bateria repeliu a esquadra sob o comando do almirante neerlandês Olivier van Noort, indevidamente reputado por alguns autores como corsário. De acordo com os diários de bordo, a esquadra, vítima de escorbuto, buscava "refrescos" (suprimentos frescos e água potável), o que foi negado pelas autoridades coloniais portuguesas, receosas de um ataque.



Em 1612, sob o reinado de Filipe III de Espanha, contando com vinte peças de artilharia de diversos calibres, passou a ser denominada como Fortaleza de Santa Cruz da Barra, tendo o seu regimento sido aprovado em 24 de janeiro de 1613 pelo governador da Capitania, Afonso de Albuquerque (1608-1614) (em outras fontes, D. Álvaro Silveira e Albuquerque), que teria determinado a escavação de cinco celas na rocha viva, com as dimensões de dois metros de altura por sessenta centímetros de largura.

No início do século XVII, após a invasão holandesa de Salvador (1624-1625), a defesa da barra do Rio de Janeiro foi reforçada no segundo governo da Capitania do Rio de Janeiro por Martim Correia de Sá (1623-1632).

As suas defesas foram reforçadas no final do século XVII pelo governador da Capitania, Sebastião de Castro Caldas (1695-1697). À época estava artilhada com 38 peças.

Assim reforçada, o fogo da sua artilharia, com o apoio do da fronteira Fortaleza de São João, repeliu a esquadra de cinco navios e mil homens do corsário francês Jean-François Duclerc (1671-1711), em 6 de agosto de 1710.



Se não impediu a invasão de 18 navios, 740 peças de artilharia, dez morteiros e 5.764 homens do corsário francês René Duguay-Trouin, em setembro de 1711, foi por se encontrar desguarnecida por ordem do então governador, Francisco de Castro Morais (1710-1711). Contava então com 44 peças e foi ocupada pelos franceses até à sua retirada, em 13 de novembro de 1711.

Em meados do século XVIII,  a fortaleza foi assim descrita por um viajante francês:

"A Fortaleza de Santa Cruz, a mais importante do país, está situada sobre a ponta de um rochedo, num local onde todos os barcos que entram ou saem do porto são obrigados a passar a uma distância inferior ao alcance de um tiro de mosquete. A fortificação consiste numa compacta obra de alvenaria de 20 a 25 pés de altura, revestida por umas pedras brancas que parecem frágeis. Sua artilharia conta com 60 peças de canhão, de 18 e 24 polegadas de calibre, instaladas de modo a cobrir a parte externa da entrada do porto, a passagem e uma parte do interior da baía. Cada uma das peças referidas foi colocada no interior de uma canhoneira, o que gera um inconveniente: mesmo diante de um alvo móvel, como um barco à vela, elas só podem atirar numa única direção."

Com a transferência da Capital, de Salvador para o Rio de Janeiro (1763), uma de suas reformas mais importantes ocorreu no governo do vice-rei, D. António Álvares da Cunha, 1° conde da Cunha (1763-1767), que determinou a ampliação do seu poder de fogo, visando proteger o embarque do ouro e diamantes das Minas Gerais, então efetuado no porto do Rio de Janeiro para Lisboa.



É desta fase o Plano da Fortaleza de Santa Cruz, novamente reedificada, pelo Conde da Cunha, em 1765. O Vice-rei D. José Luís de Castro (1790-1801) fez instalar vinte e nove peças de artilharia em uma nova bateria baixa (à flor d'água), no mesmo nível de uma outra, que existira anteriormente.

À época do Império, durante o Período regencial, o Decreto de 24 de dezembro de 1831, determinou a redução do seu armamento à metade, ficando apenas uma peça de artilharia em bateria e outra sob abóbada ou rancho de palha. Em 1838 encontrava-se artilhada com 112 peças, e guarnecida por 1.568 homens, sob o comando do Coronel João Eduardo Pereira Colaço Amado.



No contexto da Questão Christie (1862-1865), as suas defesas foram reforçadas com a construção de casamatas sobre a antiga bateria ao nível do mar, em três pavimentos: 20 casamatas no inferior, 21 no intermediário, e uma bateria no superior, erguidas entre 1863 e 1870, ano em que se construíram os dois pontilhões que ligam a antiga "Bateria 25 de Março" ao segundo pavimento das novas casamatas. Recebeu moderno armamento estriado nas casamatas (1871), mantendo-se as peças antigas, de alma lisa, nas baterias descobertas.

Encontrava-se artilhada, em 1885, por cento e quarenta e cinco peças de grosso calibre, guarnecida pelo 1º Batalhão de Artilharia a Pé, servindo ainda de Registro para os navios à entrada da baía.

Quando da eclosão da Revolta da Armada (1893-1894), trocou tiros com o encouraçado Aquidabã e os cruzadores Javari e Trajano, das 14 às 16h de 30 de setembro de 1893. Posteriormente, na madrugada de 1 de dezembro desse mesmo ano, as suas baterias abriram fogo contra o encouraçado Aquidabã e o cruzador Esperança, enquanto o primeiro atraía o fogo da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Villegagnon para proteger a saída do segundo pela barra. Fez fogo novamente sobre o encouraçado Aquidabã e o cruzador República, quando ambos forçaram a saída da barra a 21 de fevereiro de 1894.



Passou a ser guarnecida pelo 1º Grupo de Artilharia de Posição (1910), sucedido pelo 1º Grupo de Artilharia de Costa (GACos), a partir de 1 de agosto de 1917.

Em 1922, durante a revolta do Tenentismo, a sua artilharia abriu fogo contra o Forte de Copacabana (5 de julho de 1922).

Disparou 33 tiros, no contexto dos levantes tenentistas de 1924, contra o cruzador São Paulo, que, amotinado sob a liderança do tenente da Marinha Hercolino Cascardo (4 de novembro), com o fogo de suas armas, forçou a barra da baía de Guanabara rumo a Montevidéu, onde os rebeldes obtiveram asilo político.

O último disparo de sua artilharia foi um tiro de advertência, por ordem dos militares legalistas sob o comando do marechal Teixeira Lott, contra o cruzador Tamandaré, que forçou a barra na Novembrada (11 de novembro de 1955), transportando Carlos Luz e alguns ministros rumo a Santos.

De propriedade do Ministério da Defesa, sob a administração do Exército, a Fortaleza de Santa Cruz e todo o conjunto de edificações situadas após o portão contíguo ao canal (área construída de 7.153 m²), foram tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1939. 



A partir de 2002 vêm sendo procedidas obras de restauração com a construção de esgoto sanitário, recuperação de telhados (atacados por cupins), restauro do emboço e pintura externa, impermeabilização da laje do Pátio de Comando e do Salão de Pedras (antigo paiol).

Atualmente, o visitante encontra quarenta e duas antigas peças de artilharia, de diversos períodos, distribuídas pelas três baterias.


Desde 2005 as suas instalações sediam o Quartel-General da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, subordinado ao Comando Militar do Leste.

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