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2014 Indian Chief
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Vários
amigos e colegas blogueiros como o Wolfmann, o Dan Morel, o Bayer e eu mesmo,
publicamos matérias sobre a investida de Polaris Industries sobre o mercado da
Harley-Davidson, tentando oferecer as motocicletas Indian como alternativa às
H-D.
A
Harley-Davidson é a mais antiga marca de motocicleta em produção initerrupta e
a líder no mercado mundial de motocicletas cruiser/touring. É natural que todas
as marcas que operam no mesmo segmento tentem tomar uma fatia do seu mercado.
Coisas do
capitalismo e uma prática bem saudável. Caso contrário, estaríamos dirigindo
Opalas até hoje.
Isto posto,
seria bom verificar a história do nome Indian Motocycles, desde o início em Springfield, Massachusetts, no longíquo ano de 1901.
Para
começar a conversa, o nome Indian Motocycles só apareceu como nome do
fabricante em 1928. Até então o nome da empresa era Hendee Manufacturing Company, criada
em 1897 por George M. Hendee, para fabricar bicicletas.
A empresa
teve muito sucesso com suas motocicletas, tanto no mercado americano como na Europa,
principalmente nos primeiros 15 anos.
A marca,
entretanto, cometeu um grave erro mercadológico em 1917, quando os Estados
Unidos entraram na Primeira Grande Guerra. A Indian passou a produzir seus modelos da
linha Powerplus exclusivamente para os militares, deixando suas revendas na
mão. Seus concessionários procuraram outros fabricantes, já que não recebiam
produtos, e em 1920 a Indian perdia a liderança no mercado americano para a
Harley-Davidson.
A Indian
conseguiu recuperar-se em 1934, depois de uma fusão com a DuPont Motors, da
lengedária família DuPont. A Indian oferecia nada menos que 24 opções de cores
para suas motocicletas, graças à força produtiva da DuPont Paints. Foi nesta
época que a “cabeça de índio,” sua marca registrada até hoje, apareceu nos
tanques das motocicletas.
Em 1940 a
Indian estava, outra vez, bem próxima da Harley-Davidson, com um volume de
vendas quase igual. Naquele momento, as duas marcas eram as únicas “made-in-USA”,
a competir com as marcas européias. Mas a Indian Motocycles perdeu um pouco
sua proa, entrando também na fabricação de motores para aviões, bicicletas,
motores de popa e ar-condicionado.
Depois da
entrada dos EUA na II Guerra Mundial, a Indian conseguiu alguns pedidos dos militares para
seus modelos Chief, Scout e Junior Scout. Seu modelo mais competitivo com a vitoriosa
Harley-Davidson WLA era uma versão baseada na Scout 640, com um motor de 750cc.
Não deu certo: era muito pesada e muito mais cara para comprar e para fazer a
manutenção. Tentaram, então , uma versão com o motor de 500 cc, considerada
muito fraca pelos militares. No total, pouco mais de 2.500 motocicletas Indian
foram compradas pelas Forças Armadas dos EUA.
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1942 Indian Scout 500 utilizada pelo Exército dos EUA.
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Em 1945 a
DuPont perdeu o interesse no negócio e vendeu suas ações para os demais
controladores. Sob a nova direção, a Indian tentou se recuperar, concentrando a
produção em motocicletas menores, como a 149 Arrow e a Super Scout 249, lançadas
em 1949. Foi um desastre de vendas.
A Indian
fez uma tentativa final com a 250 Warrior, em 1950. A produção foi suspensa e a
companhia declarou falência em 1953.
Logo em
seguida a empresa Blockhouse Engineering comprou os direitos ao nome Indian
Motocycles e passou a importar as Royal Enfield inglesas, vendidas nos EUA com
o nome Indian.
Em 1960 o
nome Indian foi comprado pela Associated Motor Cycles (AMC), empresa britânica.
A AMC importava suas motocicletas Matchless e AJS e vendia nos EUA com o nome
Indian.
Durante os
anos de 1963 até 1970 um empresário americano chamado Floyd Clymer importou
motocicletas italianas e as vendeu nos Estados Unidos sob o nome Indian
Papoose. Clymer faleceu repentinamente em 1970 e sua viúva vendeu os direitos
do nome Indian (que na realidade não era de sua propriedade) para um advogado
de Los Angeles chamado Alan Newman, que continuou a importar motocicletas
italianas da ItalJet, com motores entre 50 cc e 175 cc, vendendo-as com o nome
Indian.
Alan Newman
tentou reviver a marca com a Indian 900, que era na realidade um projeto de Leo
Tartarini, usando um motor Ducati de 860 cc. O projeto falhou e a empresa
declarou falência em 1977.
Algumas
outras empresas e empresários tentaram reviver a marca Indian Motorcycles nos
anos 1980 e 1990. Entretanto o direito ao nome Indian entrou em disputa
judicial, com vários interessados afirmando ser o legítimo proprietário da
marca. Nenhuma das tentativas conseguiram produzir um modelo que fosse e
fecharam por várias razões.
Em 1998
Eller Industries conseguiu adquirir os direitos ao nome Indian. Três modelos
foram apresentados à imprensa especializada em Novembro de 1998, mas não
puderam ser fabricadas, por uma disputa judicial sobre o nome.
Um tribunal
federal do Estado do Colorado acabou entregando os direitos ao nome Indian
Motocycles à IMCOA Licensing America, Inc. em Dezembro de 1998.
Em 1999 a
nova Indian Motorcycle Company of America foi criada com a fusão de nove
empresas, incluíndo a própria IMCOA e a California Motorcycle Company, em cuja
fábrica as Gilroy Indian foram produzidas, com o nome Chief.
Modelos
Scout e Spirit começaram a ser produzidos em 2001, equipadas com motores
S&S de 1600 cc. A produção foi encerrada e a empresa declarou falência em
Setembro de 2003.
Em Julho de
2006 um fundo de investimentos inglês, chamado Stellican Limited, começou a
produzir motocicletas sob o nome Indian em Kings Mountain, North Carolina. O
foco da empresa era os modelos Chief, destinados ao mercado de motocicletas de
luxo. A nova Indian Chief 2009 tinha um motor Powerplus V-twin de 1.720 cc com
injeção eletrônica e custava US$35.000.
O mercado não aceitou bem as novas Indian e a fábrica e
todos os direitos ao nome foram vendidos em 2011 para a Polaris Industries. A Poloris transferiu a linha de produção para Spirit Lake, Iowa, onde foram produzidas as “novas “ Indian,
ainda baseadas em projetos do final do século passado.
Sómente em
2013 a Polaris Industries lançou modelos realmente novos, mantendo o estilo
tradicional da marca, mas com os motores Thunder Stroke de 1810 cc.
Resumo da
ópera:
- A Indian é um nome tradicional no mercado de motocicletas? É, sim.
- A Indian é uma antiga marca americana? Não! Deixou de ser americana em 1953 e só voltou a ter a cidadania, por nascimento, em 2013. 60 anos depois!
- A Indian pode ser uma alternativa à Harley-Davidson? Pode, sim.
- Vai tomar mercado da Harley-Davidson? Pode ser. A Honda, a Suzuki , a Kawasaki e a BMW não conseguiram. Mas não eram “made-in-USA”, não é? Isto pesa, para os ianques.
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2015 Indian Chieftain |
Não é confiável, jamais será.
ResponderExcluirEla não voltou a ser americana só em 2013. Foi produzida na Carolina do Norte em Kings Mountain a partir de 2008 pelo empresário Stephen Julius que havia adquirido todos os direitos da marca antes de ser vendida à Polaris.
ResponderExcluirSérgio, de 2006 a 2011 a Indian era uma empresa inglesa, de propriedade da Stellican Ltd. Veja o texto acima.
ExcluirÉ verdade, Stephen Julius é o proprietário da Stellican Ltd.
ExcluirComandante, eu também não gosto desses paralamas e nem da versão com os paralamas menores (cobrindo apenas a lateral da roda).
ResponderExcluirMas a expectativa está sendo grande pela chegada delas no Brasil, aposto que será a modinha para 2105.
Não duvido que seja. A concorrência é sempre saudável. Mas aqui, a H-D não lidera nada, com sua política de tratar a marca como produto de luxo.
ExcluirPequena correção, até 1953 ela era chamada Indian Motocycles, sem o R que só apareceu, salvo engano, nas Indians de 1999 da CMC.
ResponderExcluirObrigado por ressaltar o engano. Já fiz as correções.
ExcluirEu particularmente, quando visitei a revenda de Miami fiquei impressionado com a qualidade final do produto... a moto em si, me pareceu menos pesada do que ela realmente aparenta, embora eu não a tenha pilotado.
ResponderExcluirA questão de vendas é muito bem trabalhada....conversei com o dono da concessionária e o mesmo estava disposto a vender a moto, se encarregar do despacho pelo porto de Miami e fornecer todo equipamento para que eu fizesse a manutenção aqui no BR....mostrando que peças não seriam uma preocupação.
Acredito que, se a Polaris Brasil praticar uma política de preços similar a americana...teremos uma boa briga.
Teria uma, sim porém, não abriria mão de ter também uma HD