sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os Navios da Classe “Liberty”

O Liberty-class S/S "John W. Brown" navegando nos Grandes Lagos em 2000.
Os navios da classe “Liberty” foram cargueiros construídos em série, nos Estados Unidos, durante a II Guerra Mundial.

Ainda que baseados em um conceito desenvolvido pelos britânicos, os Liberty foram escolhidos e adaptados pelos americanos por serem navios de construção rápida e barata, tranformando-se no símbolo da capacidade industrial dos Estados Unidos.

Os primeiros navios da classe tinham sido encomendados pela Grã-Bretanha, para substituir as unidades torpedeadas pelos submarinos alemães. Mas eles também foram comprados para compor a frota auxiliar da Marinha dos EUA e para transportar a ajuda de guerra que os Estados Unidos prestavam à Inglaterra e à União Soviética, no esforço para enfrentar os ataques nazistas.

Plano de perfil dos Liberty

Entre 1941 e 1945, um total de 2.710 navios da classe “Liberty” foram construídos por dezoito estaleiros navais dos Estados Unidos. O tempo médio de construção era de 30 dias.

2º dia de construção
6º dia de construção
10º dia de construção
14º dia de construção
24º dia de construção, pronto para o lançamento
Apesar de terem uma vida útil prevista de apenas 5 anos, os Liberty continuaram a cruzar os mares do mundo por muitos anos, depois do fim da guerra.

Até hoje, 73 anos depois do início de sua produção, dois navios da classe “Liberty” – S/S “John W. Brown e S/S “Jeremiah O’Brien” – continuam em operação pela Comissão Marítima dos EUA.

O S/S “John W.Brown” foi cedido à Escola Metropolitana Vocacional da cidade de New York, onde foi utilizado até 1982, como navio-escola na formação de milhares de jovens interessados na vida no mar e que, posteriormente, ingressaram na Marinha, Marinha Mercante ou Guarda Costeira ou foram admitidos na Academia Naval, na Academia de Marinha Mercante ou na Academia da Guarda Costeira dos Estados Unidos.

Desde 1986 o “John W.Brown” é um museu itinerante, além de fazer cruzeiros históricos de 4 horas de duração pela Baía de Chesapeake.

Máquina alternativa a vapor dos Liberty
Em novembro de 2014 o S/S “John W. Brown” foi enviado ao Estaleiro Colonna, em Norfolk, VA., onde os rebites usados na sua construção estão sendo substituídos em 5 grandes placas de aço do casco do navio.

O S/S "John W. Brown" desatracando de Baltimore em Setembro de 2014.

Os rebites foram usados até a metade do século 20 na construção de navios de aço. A partir de 1950 os navios foram construídos usando solda, no lugar de rebites.


Características dos navios Liberty:
  • Comprimento: 134,60 m
  • Boca: 17,4 m
  • Calado: 8,5 m
  • Porte-bruto: 9.857 t
  • Transporte de tropa: até 650 Fuzileiros Navais
  • Propulsão: Máquina alternativa a vapor de tripla expansão, 2.500 HP
  • Velocidade: 11 nós (20 km/h)
  • Tripulação: 8 Oficiais e 38 marinheiros da Marinha Mercante, 1 Oficial e 40 marinheiros da Guarda Armada da Marinha.
  • Armamento: 1 canhão de 127 mm + 8 canhões de 20 mm + 2 metralhadoras calibre .50
De acordo com o site BlogMercante, três navios da classe Liberty navegaram sob bandeira brasileira.

O Maringá foi o primeiro Liberty a ser usado pelo Brasil, em 1959, embora inicialmente tenha sido registrado sob bandeira liberiana , sendo seu proprietário o armador  Nambal Shipping & Trading Co., subsidiária da companhia carioca Carl Aune & Cia. Ltda. Em 1960 foi transferido para a Companhia de Navegação Pan Americana, também do Rio de Janeiro, manteve o mesmo nome, mas passou finalmente a ostentar a bandeira brasileira.
Infelizmente, o Maringá terminou seus dias de forma trágica, tendo afundado em 16 de junho de 1969 na posição 11.30 S por 37.15 W, quando em viagem e completamente carregado de sal do porto de Areia Branca/RN para o porto de Santos/SP.

O segundo Liberty a ser operado por uma companhia brasileira foi o Bruce Thomas, adquirido em 1960 pela Companhia de Navegação Netumar do Rio de Janeiro, sendo em 1963 redenominado Caiçara.

S/S "Caiçara"
O Caiçara terminou sua carreira sendo desativado e vendido como sucata para um desmanche de navios no Rio de Janeiro, em janeiro de 1972.

O terceiro e último Liberty a operar sob bandeira brasileira foi o Kalu adquirido em 1960 e operado inicialmente pela companhia Nambal Shipping & Trading Co. subsidiaria da companhia carioca Carl Aune & Cia. Ltda, que o registrou sob bandeira liberiana até sua transferência para a Companhia de Navegação Pan Americana em 1961, quando recebeu bandeira brasileira.

S/S "Kalu"

O Kalu foi desativado e vendido para desmanche em abril de 1973.

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