domingo, 30 de novembro de 2008

Desastre em Santa Catarina (4)

Polícia Militar coordena a maior operação aérea de defesa civil da história do Brasil
A Polícia Militar de Santa Catarina coordena a maior operação aérea de defesa civil da história do Brasil, com 19 helicópteros e 91 homens.
Missões de resgate de flagelados da chuva que destruiu várias cidades em Santa Catarina e o transporte de alimentos e roupas são cumpridas em 19 helicópteros, com um efetivo de 91 pilotos e tripulantes, além das aeronaves da Aeronáutica e do Exército.
— Não há registro de outra operação que tenha reunido tantos helicópteros para participar de um evento como o verificado esta semana, e que deve perdurar por mais algumas — disse o comandante do Batalhão de Aviação da Polícia Militar (BAPM), tenente-coronel Milton Kern Pinto, coordenador das operações aéreas da Defesa Civil Estadual.
Os vôos continuam se concentrando na região do Parque Ecológico do Baú, área cercada de morros na divisa dos municípios de Luis Alves e Ilhota, no Vale do Itajaí, onde muitas pessoas morreram soterradas e centenas de desabrigados foram resgatados pelas aeronaves.
As aeronaves dividem-se em missões de resgate e salvamento, envio de mantimentos e roupas, retirada de corpos de áreas de difícil acesso, e
envio de equipes médicas e técnicos para normalização da telefonia, fornecimento de água e luz, e construção de pontes e estradas.

sábado, 29 de novembro de 2008

Desastre em Santa Catarina (3)

Epagri/Ciram testa sistema que prevê inundações Santa Catarina já tem operando, em modo piloto na bacia do Rio Araranguá, um sistema de monitoramento que possibilita prever com três dias de antecedência o nível do rio. Ou seja, as enchentes poderiam ser previstas três dias antes, possibilitando a emissão de alertas em tempo hábil para que autoridades e moradores tomassem as providências necessárias para evitar mortes e maiores prejuízos. O projeto, denominado “Modelagem Hidrológica na Bacia do Araranguá” é desenvolvido pelo Recursos Hídricos da Epagri/Ciram. O sistema consiste em um software produzido oir uma organização de agricultores dos Estados Unidos, que combina uma série de variáveis para prever o comportamento de rios. Para fazer tal previsão é preciso que o programa esteja alimentado com diversas informações, como as condições de uso e ocupação do solo, relevo do terreno, tipo de solo e dados climatológicos. Depois começam os testes até que o sistema passe a reproduzir parcialmente a realidade.Também é necessário contar com uma rede de estações hidrológicas que possa alimentar o sistema com as informações coletadas diariamente. Só na bacia do Araranguá a Epagri/Ciram conta com 35 unidades destas estações, que foram construídas com tecnologia desenvolvida na própria empresa. A relação entre o índice de chuvas e as cheias dos rios não é tão simples como se pode imaginar. Além das chuvas, a vazão do rio é influenciada por outros fatores, entre eles o tipo e o uso que é dado ao solo nas regiões ribeirinhas. O que o sistema faz é combinar todas essas variáveis de forma a montar um modelo do comportamento esperado do rio nas diversas situações climáticas. Além de possibilitar a emissão de alertas para cheias com mais precisão, o sistema traz a grande vantagem de possibilitar o planejamento de gestão ambiental. Ou seja, vai permitir aos pesquisadores conhecer que tipo de uso e ocupação deve ser dada ao solo para evitar as enchentes e, conseqüentemente, tragédias como a que assolou o estado de Santa Catarina. Epagri/Ciram: http://ciram.epagri.rct-sc.br/portal/website/

Desastre em Santa Catarina (2)

Segundo os meteorologistas do EPAGRI-CIRAM (http://ciram.epagri.rct-sc.br/portal/website/), as fortes chuvas que afetaram o Estado de Santa Catarina foram geradas pelo encontro de duas massas de ar: uma fria vinda do oceano e outra quente formada no continente. Além disso, ventos intensos soprando do mar aumentaram a umidade das nuvens, que já estavam carregadas. Segundo Maria Elisa Siqueira da Silva, professora de climatologia da Universidade de São Paulo (USP), o sistema que causou as chuvas em Santa Catarina ficou estacionado na região, provocando a convergência das precipitações no Estado. Para a professora, a permanência do sistema sobre o Atlântico Sul, sem movimentação, foi o fator de maior agrave para intensidade das chuvas. O Estado de Santa Catarina tem um relevo elevado, montanhoso, o que pode ter contribuído para o aumento da umidade. “O relevo de maior altitude provoca a ascensão do ar, carregando a umidade para as nuvens”, comenta Maria Elisa. Ela também afirma que regiões de encosta são “naturalmente desprivilegiadas com chuva forte”, já que o solo encharca e tende a ceder. “As pessoas e os órgãos de planejamento dão pouca importância para as pessoas que estão nas encostas, não há planejamentos para a ocupação dessas áreas”, diz a professora. Ela também lembra que os vales são um tipo de relevo que favorece alagamentos. “A região de vale é mais propensa aos alagamentos se não houver um plano de escoamento de água. Nas cidades localizadas nessas regiões, é interessante que a sociedade, os políticos, se organizem para melhorar o planejamento sobre escoamento das águas”, aconselha. Além disso, Maria Elisa lembra que a pavimentação das ruas das cidades impede a penetração da água nos solo, o que já contribui para as enchentes. A professora ressalta, no entanto, que o relevo não justifica, sozinho, as chuvas intensas que tem provocado estragos em Santa Catarina. De acordo com a Climatempo, Florianópolis registrou 550 milímetros de chuva, quando a média para este período do ano é de 130. Em Indaial, no Vale do Itajaí, foram 520 milímetros, a média é de 120. Entre as 10h da manhã do domingo (23) e as 10h da segunda (24) foram registrados 105 milímetros na cidade de Indaial. “Um volume de chuvas muito grande, para um curto período de tempo”, afirmou a meteorologista Patrícia Madeira. Especialistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP começam a realizar estudos e avaliações nos solos do Estado, principalmente no Vale do Itajaí, a partir de 2/12/2008.

Desastre em Santa Catarina

Muito da tragédia que está ocorrendo em Blumenau é resultado das enchentes de 1983 e 1984. Explico: as pessoas que foram atingidas pelas águas naqueles anos, procuraram se mudar para as partes mais altas e a cidade cresceu para cima das encostas. Tudo bem se não tivesse ocorrido este fenômeno incomum de 2008. Ao contrário de Itajaí, em Blumenau o problema maior não foi tanto de enchente e sim de deslizamento de encostas. A tragédia começou muitos meses atrás. Na realidade o litoral norte e Vale do Itajaí começaram a receber muita água desde Agosto. Nestes meses todos, os volumes de precipitação bateram todos os recordes anteriores, algumas vezes chegando a dobrar a quantidade, em milímetros, observada num determinado mês. Em Novembro foram mais de 900 mm, quando o normal é 115 mm. O solo foi se encharcando, a capacidade de absorver a água foi diminuindo. A combinação de uma massa muito grande de ar úmido, vindo da Amazônia e passando pelo Centro-oeste, com um ciclone extratropical no Atlântico, com ventos fortes de leste, criou as condições para o desastre. Começou a chover forte na segunda-feira, dia 17 e continuou quase sem parar. Já na quarta-feira a correnteza do rio Itajaí-açu tinha atingido 5 nós (8 km/h) e as autoridades fecharam o acesso ao Complexo Portuário do Itajaí-açu. Só se permitiu a saída dos navios que se encontravam no porto, assim mesmo no estôfo da maré, quando a velocidade da corrente diminuía para 3 nós (5,4 km.h). Na sexta-feira à noite a tragédia mandou o aviso de chegada: o nível do rio Itajaí-açu, em Blumenau, chegou a 8 metros (o normal é entre 2,80 e 3 m). A Defesa Civil deu alerta de emergência para a região e começaram a preparar os abrigos tradicionais para receber as pessoas (colégios, quartéis, etc.). O ápice chegou no domingo dia 23, à noite, quando o nível do rio atingiu 11,5 m. Vejam que não foi tão alto; nas enchentes de 83 e 84 o nível chegou a quase 16 m. Algumas áreas mais baixas de Blumenau já ficam alagadas quando o nível passa dos 8,50 m. No site da prefeitura tem uma relação de ruas e avenidas com o nível indicativo de alagamento. A situação em Itajaí, por outro lado, foi o resultado de uma combinação malvada do rio Itajaí-açu e do rio Itajaí-mirim, que se encontram na cidade. O volume de água do Itajaí-açu, mais alto, não permitiu o escoamento do Itajaí-mirim. Na realidade fez o papel de represa. Itajaí inundou, com águas chegando a 9 m de altura em relação às ruas, em alguns pontos. É interessante ver este fenômeno: em Itajaí, 90% da cidade ficou alagada. Do outro lado do rio Itajaí-açu, na cidade de Navegantes, sem alagamento expressivo. O sistema que criou toda esta desgraça, ainda não se desfez de todo. A alta pressão continua no Atlântico, os ventos permanecem de leste e a humidade continua alta, favorecendo mais chuvas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Risco de Apagão Energético?

Mais de 90% do petróleo produzido no Brasil vem das plataformas da Bacia de Campos. Aí está nosso "calcanhar de Aquiles" energético. Se sofrermos um ataque terrorista na Bacia de Campos, podemos ter um "apagão" energético de grande monta. É preocupante o depoimento do Comandante da Marinha, sobre o assunto: Comandante da Marinha alerta para precariedade de frota. Responsável pelos 4,5 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais brasileiras, o comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, teme pela segurança das plataformas de petróleo na Bacia de Campos. Em entrevista a Zero Hora, o almirante admitiu a falta de embarcações para proteger as plataformas, defendeu a duplicação da frota de navios-patrulha e a compra de submarinos franceses como soluções emergenciais. – O governo tem plena consciência da necessidade da presença da Marinha junto às plataformas de petróleo. Ele não considera que as plataformas brasileiras estejam vulneráveis. Contudo, diz que para garantir a segurança desses pontos é necessário que a Marinha faça vigilância permanente dos locais, o que não tem ocorrido. O almirante não acredita que esteja ocorrendo uma possível corrida armamentista na América do Sul, fato que chegou a ser ventilado depois da passagem da 4ª Frota americana pela região. Ele diz que cada país está cuidando para ter os meios de que necessita para cumprir sua missão. – A política de defesa brasileira é de dissuasão. Como não temos inimigos claros e definidos, temos de mostrar capacidade de nos defender – afirma. A postura do Alte. Julio de Moura Neto não é alarmista, mas preocupa. Decisões de repotenciar a Força Naval levam anos para tornar-se realidade. Ou seja, se decidirmos construir mais navios para aumentar a presença Naval nas águas jurisdicionais brasileiras, alguns anos se passarão antes de ter o primeiro navio patrulhando a Bacia de Campos e protegendo nossas preciosas plataformas. Lembrem-se do atraso que sofreu nossos planos de auto-suficiência de petróleo, atrasados vários anos em função do naufrágio de uma plataforma de produção. É um risco que deveríamos eliminar ou minimizar.

sábado, 22 de novembro de 2008

E a tradição é mantida

Minha família tem motociclismo no DNA. Meu pai foi Harleyro desde os anos 30. Eu comecei andando de Lambretta no início dos anos 60, progredí para CB 50, CB 125, CB 400, 750, 350 Trail, CBX 750 e Harley Softail Deluxe. Atualmente piloto uma belíssima Harley-Davidson Ultra Classic Electra Glide. Tenho, também, uma preciosidade: uma Honda CB750 F ( a famosa sete-galo), de 1976. Meu irmão, Adilson, começou mais tarde, mas também gosta muito da motocicleta que tem. Meu filho Marcus começou aos 15 anos, na Niterói onde ainda vive com a família, numa Honda 125 Trail. Depois vieram as Hondas 350 Trail, CB 400, Yamaha RD 350, Honda CBX 750, Yamaha DragStar 650 e, finalmente, uma Harley-Davidson Fat Boy, recentemente adquirida. Meu neto, Kiko, já começa a demonstrar o gosto por veículos de duas rodas, como bem demonstra a foto ao lado. Ele fica muito feliz quando o colocamos sentado numa motocicleta e adora andar com seu velocípede que imita uma moto. Inclusive, tem a mania de estacionar seu velocípede ao lado da motocicleta do pai (na foto, uma Yamaha DragStar).

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Brasil que estamos construíndo (2)

O cidadão brasileiro (ou qualquer residente no nosso país) sustenta a segunda maior carga tributária do mundo. Um profissional assalariado, hoje, trabalha 5 meses por ano só para pagar impostos. Mesmo assim, o governo não tem dinheiro para investimentos ou para custeio. Não há verba suficiente para a Saúde (querem de volta o famigerado CPMF). Não há verba suficiente para a Educação (uma dos mais baixos investimentos em pesquisa). Não há verba para infra-estrutura (estradas, portos e aeroportos à beira do caos). Não há verba para a Defesa (as Forças Armadas estão em frangalhos). Não há verba para Segurança (quem for policial, sabe do que eu estou falando). Mas há verba, sim senhor, para Banco do Brasil (uma estatal federal) comprar a Nossa Caixa (uma estatal estadual) por R$7,6 bilhões, com um ágio de 37,6%. Isto mesmo, de acordo com a cotação na Bolsa de Valores (BOVESPA), a Nossa Caixa valia exatos R$5.52 bilhões. Ou seja, o governo federal, que não tem recursos para custear o que é de sua responsabilidade (com impostos pagos por todos os brasileiros), dá de presente R$2,1 bilhões para o estado mais rico da Federação. Traduzindo: reforma tributária do governo Lula é assim; tira de onde não tem, para dar a quem tem mais. O presidente De Gaulle estava certo.

O Brasil que estamos construíndo

Uma das grandes vantagens que sempre alardeamos sobre o nosso país foi a capacidade de convivência pacífica do nosso povo. Sendo um país de imigrantes, seria natural que cada um se identificasse com suas origens, como se verifica em países como os Estados Unidos. Lá, um descendente de imigrantes irlandeses se identifica como irlandês, mesmo que sua família já esteja no país há várias gerações. Aqui no Brasil, sempre foi o contrário. Filhos de imigrantes se apresentam, sempre, como brasileiros e com muito orgulho! Agora, cada vez mais, vemos um movimento para criar um conflito racial entre nós. E a recente decisão da Câmara Federal joga mais lenha nesta fogueira ilógica e desnecessária. Se isto continuar, em pouco tempo deixaremos de ser brasileiros para sermos "negros", "índios", "portugueses", "italianos", "alemães", "poloneses", etc, etc, perdendo uma das grandes virtudes que temos. Tenho certeza, absoluta, que isto não reflete o desejo do nosso povo. Mas alguém se preocupa em consultar a população, através de um plebiscito, para saber se queremos ser rotulados? Não, os políticos não se preocupam com a vontade do povo, só em angariar dividendos para continuar com suas ações perversas e criminosas (na grande maioria das vezes, infelizmente). O artigo abaixo, postado no blog do Reinaldo Azevedo, retrata de forma clara, os erros que continuamos a cometer, neste Brasil que deixaremos para nossos filhos e netos. COTAS – QUE O SENADO RESISTA À LEGALIZAÇÃO DO ÓDIO RACISTA E DE CLASSE (do blog de Reinaldo Azevedo - http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/) Numa decisão estúpida, pautada pela demagogia mais rasteira e pela ignorância, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem o projeto que estabelece cotas de 50% das vagas nas universidades e escolas técnicas e de ensino médio federais para estudantes oriundos das escolas públicas. Dentro desses 50%, terão de ser reservadas as vagas para negros, pardos e índios na proporção da população de cada estado. Mais: metade dessa metade terá de ser preenchida por estudantes cujas famílias tenham renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio. “O Dia da Consciência Negra contribuiu para que eu tivesse a iniciativa de colocar essa matéria em pauta", disse o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), orgulhoso da besteira que fez. Trata-se de um esforço para legalizar no país o racismo e o ódio de classe. Que os senadores pensem bem no que têm em mãos. Se as cotas, na forma em que vigoram hoje, já são instrumentos óbvios de injustiça intelectual – e não é na universidade que se resolve a tal “injustiça social” - , aprovado este projeto e implementado, estará instituído, aí sim, em escala monumental, um claro instrumento de discriminação do estudante mais competente em benefício do mais pobre. Saiu hoje o resultado do Enem: o desempenho médio dos estudantes não chega a 42%. Uma tragédia, como vemos. E como é que esses gênios do racismo e do ódio pretendem resolver a questão? Melhorando a escola pública? Não! Eles preferem piorar a já combalida universidade brasileira. É um descalabro.