segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A "Bola do Tempo" celebrando o Ano Novo

A passagem do Ano Novo no Times Square, New York, é o evento mais simbólico do início de um novo ano no mundo ocidental.

A bola descendo de um mastro, no topo do edifício Times Square One, com a contagem regressiva dos segundos que faltam para o início de 2017 foi assistida por dezenas de milhões de pessoas, em todo o mundo.

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A bola, uma esfera de cristal Waterford que pesa 6 toneladas e é coberta com 32.276 luzes de LED, é uma tradição nesta praça, formada entre a Broadway e a Sétima Avenida, entre as ruas 45 e 47, na cidade de New York.

Operários preparando a Bola do Tempo de Times Square, para a passagem 2016-2017
O edifício Times Square One, em 1907.
A bola foi arriada pela primeira vez em 1908 e se tornou uma tradição, um ícone do Ano Novo desde então.

Mas, de onde veio esta idéia? Na realidade esta prática se iniciou em 1819 e tinha como objetivo ajudar os marinheiros a ajustar os cronômetros dos navios.

A posição precisa de um navio em alto mar era obtida por cálculos de astronomia náutica ou navegação eletrônica de superfície até 1983, quando o presidente Ronald Reagan liberou o uso do GPS (desenvolvido para uso militar desde a década de 1970) para uso civil, sem qualquer custo.

Esta posição, determinada por duas coordenadas (latitude e longitude), era obtida através da observação astronômica do sol e das estrelas para definir a latitude (distância do objeto na superfície da terra em relação aos polos) e pelo horário astronômico da observação em relação à Hora Média de Greenwich, obtida pelo cronômetro marítimo, para determinar a longitude (fuso horário do local, em relação ao Observatório Real de Greenwich).

O primeiro cronômetro marítimo confiável foi desenvolvido pelo inglês John Harrison e outros, na segunda metade do século 18, depois de 31 anos de pesquisa e experimentação. Mas para que a posição em longitude esteja correta, é necessário que o cronômetro esteja corrigido ou a diferença que apresente seja conhecida.

Cronômetro de John Harrison, de 1735
Hoje há várias maneiras de se determinar a hora correta, quando se está à bordo de um navio. Mas nos séculos 18 e 19 a coisa não era assim tão simples.

Em 1819, o Comandante Robert Wauchope, da Marinha Real, inventou a “bola do tempo”. Era uma bola de grandes dimensões, içada no topo de um mastro em um edifício alto e visível do mar, no porto de Portsmouth, Grã-Bretanha. O bola era arriada exatamente ao meio-dia. Quando um navegador observasse a bola a ser arriada, poderia comparar com seu cronômetro e determinar sua precisão.


Ilustração incluída no pedido de patente da "Bola do Tempo".

Bola do Tempo em Portsmouth, Grã-Bretanha, nos dias atuais.
Em 1833 uma bola do tempo foi erguida no teto do Observatório Real de Greenwich, nos subúrbios de Londres. Em 1845 fizeram o mesmo no Observatório Naval dos Estados Unidos, em Washington, DC.

Observatório Real de Greenwich, Londres.
Observatório Naval dos EUA, Washington, DC.
Vários outros lugares no mundo adotaram formas semelhantes de indicar o ponto preciso do meio-dia. 

No Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, a torre do edifício Mesbla, na Rua do Passeio dava a previsão do tempo.

Edifício Mesbla, na Rua do Passeio, Rio de Janeiro.
 

A hora certa e precisa era obtida através da Rádio Relógio Federal, que transmitia os sinais de hora gerados pela Divisão Serviço da Hora do Observatório Nacional, única instituição legalmente designada para Gerar, Conservar e Disseminar a Hora Legal Brasileira. A rádio ainda existe mas chama-se Rádio Relógio desde que foi vendida a uma empresa privada, em 1967.

Com o advento dos sinais de tempo por rádio, nos anos 1920, as bolas do tempo ficaram obsoletas.

Entretanto, as bolas do Observatório Real de Greenwich e do Observatório Naval em Washington, continuam a serem arriadas precisamente ao meio dia local, todos os dias até hoje.

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