sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Batalha de Monte Castello


A Batalha de Monte Castello foi travada na Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército Alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. Esta batalha marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito. 

A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, durante os quais se efetuaram seis ataques, com grande número de baixas brasileiras devido a forte resistência alemão e o frio intenso de um dos mais rigorosos invernos na Europa.

O monte Castelo fica a sudoeste de Bolonha, nos Apeninos setentrionais, numa altitude de 977 m.  A batalha de Monte Castello está inserida na 2ª fase da Operação de Rompimento da Linha, na Campanha da Itália.

Em novembro de 1944 a 1ª DIE (Divisão de Infantaria Expedicionária), após cumprir as missões à ela delegadas na frente de batalha no vale do rio Serchio (onde vinha combatendo há cerca de dois meses), foi enviada para a frente do rio Reno. Neste ponto da Linha Gótica, num perímetro que tinha um raio aproximado de 20 quilômetros, cobrindo uma área que tinha à frente montanhas sob controle dos alemães, o general Mascarenhas de Moraes montou seu quartel-general avançado

O General Mascarenhas de Moraes,  no início da batalha de Monte Castello

As posições de artilharia alemãs eram consideradas privilegiadas, submetendo os aliados a bombardeiros constantes, dificultando qualquer avanço em direção à Bolonha e ao Vale do Pó.

O general Mark Clark, comandante das Forças Aliadas na Itália, pretendia liberar o caminho do 8º Exército Britânico rumo à Bolonha, antes que as primeiras nevascas começassem a cair. Entretanto, o complexo de defesas formado pelos alemães, se mostrou extremamente resistente.

A frente italiana estava sob a responsabilidade do Grupo de Exércitos C, sob o comando do General Heinrich von Vietinghoff. No total, os alemães tinham 9.000 soldados defendendo estas posições.

Campanha da FEB

Como se constatou posteriormente, uma Divisão de Infantaria era tropa insuficiente para uma missão daquela magnitude naquelas condições e terreno. No entanto, como o comando aliado na Itália carecia de tropas e mantinha o objetivo de atingir Bolonha antes do Natal, o ataque foi iniciado. Em 24 de novembro, o Esquadrão de Reconhecimento e o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria da 1ª DIE fizeram a primeira investida ao monte Castello.

No segundo dia de ataques tudo indicava que a operação seria exitosa, entretanto, em uma contra-ofensiva poderosa, os homens da 232ª DI germânica, responsável pela defesa dos montes Castello e Della Torracia, recuperaram as posições perdidas, obrigando os soldados brasileiros a abandonar as posições já conquistadas.

Soldados brasileiros na Campanha da Itália.

Em 29 de novembro, planejou-se o segundo ataque ao monte. A 1ª DIE - com três batalhões – contava com apenas com o suporte de três pelotões de tanques americanos. Todavia, um fato imprevisto ocorrido na véspera da investida comprometeria os planos: na noite do dia 28, os alemães haviam efetuado em contra-ataque contra o monte Belvedere, tomando a posição dos americanos e deixando descoberto o flanco esquerdo do aliados.

Inicialmente a DIE pensou em adiar o ataque, porém as tropas já haviam ocupado suas posições e deste modo a estratégia foi mantida. Às 7 horas uma nova tentativa foi efetuada.

As condições do tempo mostravam-se extremamente severas: chuva e céu encoberto impediam o apoio da força aérea e a lama praticamente inviabilizava a participação de tanques. O grupamento do general Zenóbio da Costa no início conseguiu um bom avanço, mas o contra-ataque alemão foi violento. No fim da tarde, os dois batalhões brasileiros voltaram à estaca zero.

O lendário herói da FEB, Sargento Max Wolf, liderando um pelotão na tomada do Monte Castello.
Ele foi condecorado pelo Exército dos Estados Unidos com uma Bronze Star, por sua bravura.
Em 5 de dezembro, o general Mascarenhas recebe uma ordem do 4º Corpo de que "caberia à DIE capturar e manter o cume do Monte Della Torracia - Monte Belvedere." Ou seja, depois de duas tentativas frustradas, Monte Castello ainda era o objetivo principal da próxima ofensiva brasileira, a qual havia sido adiada por uma semana.

Em 12 de dezembro de 1944, a operação foi efetivada, data que seria lembrada pela FEB como uma das mais violentas enfrentadas pela tropas brasileiras no teatro de operações na Itália. Com as mesmas condições meteorológicas adversas da investida anterior, o 2º e o 3º batalhões do 1º Regimento de Infantaria fizeram, inicialmente, milagres. Houve inicialmente algumas posições conquistadas, mas o pesado fogo da artilharia alemã fazia suas baixas. Mais uma vez a tentativa de conquista se mostrou infrutífera muitas baixas nas tropas brasileiras.
Soldado José Bettim, de Juiz de Fora, MG, lutou na batalha de Monte Castello.

A lição serviu para reforçar a convicção de Mascarenhas de que o monte Castello só seria tomado dos alemães se toda a divisão fosse empregada no ataque - e não apenas alguns batalhões, como vinha ordenando o 5º Exército. Somente em 19 de fevereiro de 1945, após a melhora do inverno o comando do 5º Exército determinou o início de uma nova ofensiva para a conquista do monte. Tal ofensiva denominada de Operação Encore utilizaria as tropas da 10ª Divisão de Montanha americana e da 1ª DIE.

O ataque final

Desta vez a tática utilizada, seria a mesma idealizada por Mascarenhas de Moraes em 19 de novembro, utilizando 2 divisões. Assim, em 20 de fevereiro, as tropas da Força Expedicionária Brasileira apresentaram-se em posição de combate, com seus três regimentos prontos para partir rumo ao monte Castello. À esquerda do grupamento brasileiro, o avanço seria iniciado em 18 de fevereiro pela 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos, tropa de elite, que tinha como responsabilidade tomar o monte Belvedere e garantir, dessa forma, a proteção do flanco mais vulnerável do setor.

A resistência alemã se fez mais uma vez presente, e a 10ª Divisão de Montanha americana não tinha assegurado suas posições, assim o ataque brasileiro ao Castello se fazia imprescindível. Tal ataque começou ao amanhecer do dia 21 de fevereiro, com o Batalhão Uzeda seguindo pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao monte, e o Batalhão Sizeno Sarmento aguardando nas posições privilegiadas que alcançara durante a noite, o momento de juntar-se aos outros dois batalhões.

Soldados da Artilharia Divisionária, sob comando do Gen. Cordeiro de Farias.

Conforme descrito no plano Encore, os brasileiros deveriam chegar ao topo do monte Castello no máximo ao entardecer, após a tomada do Monte Della Torracia ser executada pela 10ª Divisão de Montanha, de tal modo o comando do IV Corpo estava certo de que o Castello não seria tomado antes do Della Torracia.
Entretanto, às 17h30, quando os primeiros soldados do Batalhão Franklin do 1º Regimento conquistaram o cume do monte Castello, os americanos ainda não haviam vencido a resistência alemã, só o fazendo noite adentro, quando com a ajuda de alguns elementos brasileiros que já haviam completado sua missão.

Grande parte do sucesso da ofensiva foi creditada à Artilharia Divisionária, comandada pelo general Cordeiro de Farias, que entre 16h e 17h do dia 22, efetuou um fogo de barragem perfeito contra o cume do monte Castello, permitindo a movimentação das tropas brasileiras.


A tomada do Monte Castello foi fundamental para assegurar a vitória aliada no Teatro de Operações da Europa.

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